PSD critica "gravíssima" ausência de novo cabo submarino entre São Miguel e Terceira
14 de dez. de 2022, 19:29
— Lusa/AO Online
Em comunicado, o
social-democrata, eleito pelo círculo dos Açores, alertou que a ligação
entre as duas ilhas mais populosas do arquipélago vai ser “mantida com
um cabo com mais de 25 anos”, segundo o projeto dos novos cabos
submarinos.“Na configuração do novo anel,
segundo a topologia prevista, e pelo que disse o ministro [das
Infraestruturas], não está assegurada a reestruturação dessa ligação
[entre São Miguel e Terceira]. Essa é uma enorme preocupação, pois é
grave que haja essa falha, que retira a capacidade de securização e de
segurança do sistema”, afirmou o deputado, citado na nota de imprensa.Paulo
Moniz avisou que a ligação entre as duas ilhas é assegurada por um
“cabo completamente obsoleto” e criticou a forma como o processo foi
conduzido pelo Governo da República.A
propósito da substituição dos cabos submarinos, o deputado disse que se
“está a fazer uma ponte, em que as duas extremidades são novas, mas em
que o meio é uma parte podre e velha”.“Vamos
ficar piores do que estamos, ou seja, vai-se fazer uma infraestrutura
nova, que alimenta duas ilhas, sem acautelar a ligação entre elas por um
cabo também novo”, afirmou Paulo Moniz.Em comunicado, o PS elogiou o “cumprimento da palavra
dada” pelo Governo da República, devido ao lançamento do concurso para a
substituição da ligação de fibra ótica entre o continente, os Açores e a
Madeira.Os socialistas revelaram que já
foram transferidos 36 milhões de euros, do leilão do 5G, para financiar a
substituição dos cabos, considerando que está assegurado um “conjunto
de serviços essenciais” às regiões autónomas.“A
substituição do atual sistema de comunicações por um novo sistema de
cabos submarinos era indispensável para garantir a coesão territorial,
mas, também, por estar próximo do fim o tempo de vida útil do atual
sistema e que sem a sua substituição estaria comprometido o curso normal
da vida dos cidadãos e das instituições”, afirmou o deputado do PS,
Francisco César.Também o
Governo dos Açores reivindicou a extensão do prazo de vida útil dos
atuais cabos submarinos, alertando que o “atraso” na substituição pode
provocar anomalias no acesso à internet e nas chamadas de rede móvel.Em
declarações à agência Lusa, o diretor regional das Comunicações e da
Transição Digital, Pedro Batista, condenou o “atraso” no processo de
substituição dos cabos submarinos, uma vez que a vida útil dos atuais
cabos termina em 2024/2025.“Sabemos que
não é por terminar a vida útil que, no dia a seguir, deixa de funcionar,
mas, naturalmente, poderá haver uma incidência de anomalias e de
avarias superior a que existe até agora”, afirmou.O
diretor regional reconheceu que, a partir de 2024 a conectividade
digital entre os Açores e o continente, assegurada pelo sistema
designado Anel CAM, poderá ser afetada.