PSD considera uma vergonha chumbo na AR de proposta sobre grávidas dos Açores
13 de jul. de 2023, 15:43
— Lusa
“Trata-se de um ataque vergonhoso
à nossa autonomia. É um ato hostil para com os nossos órgãos de governo
próprio. Nunca se viu tal coisa na Assembleia da República. Uma
vergonha, senhoras e senhores deputados. Uma vergonha”, acusou Paulo
Silveira, deputado social-democrata, numa declaração política na
Assembleia Legislativa Regional, na Horta, ilha do Faial.Em
causa está o chumbo pelos deputados do PS, na passada semana, na
Assembleia da República, de uma proposta da autoria dos partidos que
apoiam o Governo da região (PSD, CDS-PP e PPM), que pretendia atribuir
apoios aos acompanhantes das grávidas das ilhas sem unidade hospitalar e
que tinha sido aprovada por unanimidade nos Açores.“Ao
invés de apoiar uma proposta com a qual concordava, o PS na Assembleia
da República preferiu usurpar a iniciativa dos Açores e apresentar uma
má versão da mesma”, adiantou o deputado do PSD, considerando que a
proposta de substituição que os socialistas apresentaram “baralha, junta
e confunde conceitos” e poderá “dificultar o acesso ao apoio”
pretendido na versão inicial do diploma.Paulo
Silveira lembrou que este “mesquinho truque partidário”, que considera
“envergonhar qualquer açoriano”, foi protagonizado pelos três deputados
do PS eleitos pelo círculo dos Açores à Assembleia da República e que
acabaram por se abster, mas levando os restantes colegas da maioria
socialista a votar contra.“Francisco
César, Sérgio Ávila e João Castro optaram por arquitetar o chumbo da
proposta da sua terra, só para que uma iniciativa idêntica, do seu
partido, fosse aprovada”, lamentou o deputado social-democrata.A
proposta açoriana pretendia colmatar, através de uma alteração ao
Código de Trabalho, uma falha nos apoios aos acompanhantes das mulheres
grávidas que residem em ilhas sem hospital (como é o caso de Santa
Maria, Graciosa, São Jorge, Pico, Flores e Corvo) e que têm de se
deslocar para São Miguel, Terceira ou Faial, para consultas ou trabalhos
de parto.Isabel Teixeira, deputada do PS
no parlamento açoriano, lembrou que o diploma apresentado pelos
socialistas em Lisboa (em substituição do que teve origem na região)
visou apenas ultrapassar a demora e a dificuldade que uma eventual
alteração do Código de Trabalho iria gerar, a nível nacional, permitindo
ultrapassar o problema por outra via.“Os
deputados do PS na Assembleia da República foram ao encontro de uma
solução que corresponde ao pretendido, sem necessidade de aguardar por
uma reflexão mais alargada ao Código de Trabalho”, justificou a deputada
socialista na região, acusando os social-democratas de pretenderem
apenas “protagonismo político” com estas críticas.Catarina
Cabeceiras, do CDS, José Pacheco, do Chega, e António Lima, do Bloco de
Esquerda, não pouparam críticas à postura do PS na Assembleia da
República, utilizando termos como “lamentável”, “chico esperto” ou até
“plágio”.O secretário regional das
Finanças, Duarte Freitas, juntou-se também ao debate para dizer que o
que se passou na Assembleia da República é o resultado das “lutas
internas” dentro do PS/Açores, referindo-se a Francisco César, deputado
dos Açores na Assembleia da República, e Vasco Cordeiro, líder
parlamentar socialista na região.“Foi um
momento negro na história da autonomia e na representação dos Açores no
Continente. Só esperamos que estas lutas internas no Partido Socialista
não prejudiquem mais as açorianas e os açorianos”, alertou o governante.Também
Paulo Estêvão, deputado do PPM, lamentou que o antigo presidente do
Governo dos Açores e atual deputado socialista, Vasco Cordeiro, não
tenha “dado o peito às balas” e assumido, perante os seus colegas no
parlamento açoriano, que a votação da Assembleia da República da
proposta açoriana não tinha passado de uma “chico-espertice” do seu
colega de partido, Francisco César.