PSD/Congresso: Ferreira Leite consagrada com mesmo peso de Menezes no Conselho Nacional
22 de jun. de 2008, 22:23
— Lusa / AO online
Manuela Ferreira Leite, a primeira mulher a liderar o PSD, elegeu 20 dos 55 membros efectivos do Conselho Nacional, enquanto os seus opositores nas directas de 31 de Maio Pedro Passos Coelho e Pedro Santana Lopes elegeram, respectivamente, 16 e 5 conselheiros.
Em 2007, depois de ter vencido as directas a Marques Mendes, Luís Filipe Menezes conseguiu igualmente 20 representantes no Conselho Nacional do PSD.
Manuela Ferreira Leite escolheu Rui Rio para seu primeiro vice-presidente – depois de ambos terem ponderado juntos qual deveria avançar com uma candidatura à liderança do partido – e Luís Marques Guedes para secretário-geral.
Paulo Mota Pinto, António Borges, Pedro Aguiar Branco e Sofia Galvão são os outros vice-presidentes da nova direcção do PSD.
A equipa com que vai dirigir o PSD foi anunciada pela própria Manuela Ferreira Leite em primeira mão aos congressistas no sábado e obteve hoje a aprovação de 65,8 por cento dos votantes.
Antes do Congresso do PSD, tinham surgido na comunicação social especulações sobre a possibilidade de Manuela Ferreira Leite reeditar o Bloco Central.
Sem nunca se referir directamente à questão, a presidente do PSD afirmou no discurso de abertura do Congresso que não perderá tempo a desmentir intenções que lhe atribuam e frisou que não fala nas entrelinhas.
A maior parte do seu primeiro discurso foi dedicado a criticar o Governo, que disse estar “esgotado”, e o primeiro-ministro, José Sócrates, que acusou de ter cometido “erros políticos graves” pelos quais há-de pagar a factura, sendo “o primeiro grande erro” ter ignorado o PSD.
“O que queremos dizer ao engenheiro Sócrates é que essa atitude a-ca-bou”, declarou Ferreira Leite.
À margem do Congresso – que teve quase sempre a sala meio cheia, com muitos congressistas a preferirem estar do lado de fora – foi anunciado o candidato à sucessão de Santana Lopes na liderança parlamentar do PSD apoiado por Ferreira Leite, o deputado Paulo Rangel.
No sábado, a presidente do PSD foi desafiada a esclarecer o seu projecto e as suas ideias políticas, primeiro por Pedro Passos Coelho e depois por Pedro Santana Lopes, que fez a última intervenção do dia.
Os dois salientaram que continuarão a defender as ideias que apresentaram na campanha para as directas, embora prometendo lealdade à nova presidente.
Santana Lopes foi aplaudido quando questionou a ética de elementos que estão na equipa de Manuela Ferreira Leite e se opuseram a Menezes – que esteve ausente em Guimarães, como Alberto João Jardim – e afirmou que não pode haver militantes de primeira e de segunda.
Tanto Passos Coelho como Santana Lopes viram alguns dos seus apoiantes nas directas integrarem outras listas aos órgãos nacionais do partido.
Foi esse o caso de Luís Montenegro, porta-voz da candidatura de Santana que encabeçou uma lista ao Conselho Nacional, e da distrital do PSD do Porto que admitiu apoiar a lista de Passos Coelho e acabou por avançar sozinha.
No discurso com que encerrou o Congresso, Manuela Ferreira Leite considerou que Portugal vive uma situação de emergência social que impõe apoios públicos para combater a pobreza e contestou o investimento do Governo em novas infra-estruturas.
Sublinhando que ouviu “com toda a atenção” o que foi dito no Congresso, a presidente do PSD dirigiu-se a todos os que falaram, declarando: “É com as vossas ideias, o vosso empenho e a vossa militância que seremos capazes de apresentar ao país um projecto mobilizador, à altura das justas ambições dos portugueses”.
Por outro lado, Ferreira Leite considerou obscuras e complexas as regras do sistema fiscal, propondo a sua simplificação, e defendeu que o Serviço Nacional de Saúde se mantenha universal, embora questionando o seu financiamento.