PSD, CDS-PP e PPM dos Açores querem auditoria do Tribunal de Contas à SATA
15 de fev. de 2021, 16:48
— Lusa/AO Online
Num
projeto de resolução entregue no parlamento açoriano, o PSD,
CDS-PP e PPM solicitam “à Secção Regional dos Açores do Tribunal de
Contas uma auditoria à situação financeira e operacional do Grupo SATA
no período compreendido entre os anos de 2012 e 2020”.Os
três partidos querem, ainda, tornar “públicos os documentos em sua
posse relativos ao processo de alienação de 49% do capital social da
SATA Internacional – Azores Airlines, que foram ocultados da opinião
pública pelo XII Governo Regional dos Açores”, liderado pelo PS.A
proposta prevê que sejam feitas as “denúncias obrigatórias por lei,
independentemente da qualidade dos agentes envolvidos”, caso sejam
detetados “indícios de ilícito penal ou contraordenacional decorrentes
de decisões ou orientações de membros do Governo Regional ou do conselho
de administração do grupo SATA”.No texto
da resolução, os partidos aludem a “ingerências políticas da tutela,
erros clamorosos a nível estratégico e negócios duvidosos” que deixaram a
“sustentabilidade do grupo SATA (…) gravemente ameaçada”.Para
estes partidos, “a grave situação a que a SATA foi conduzida nas duas
anteriores legislaturas obriga a que não se repitam os erros cometidos” e
que só seja “possível salvar a SATA e construir o futuro da companhia
aérea dos Açores conhecendo, com exatidão, o que se fez de errado no
passado”.Esse “trabalho de identificação
das causas dos graves problemas da SATA deve ser executado por uma
entidade externa, credível e que seja independente do poder político,
através de uma auditoria rigorosa à situação do grupo no período entre
2012 e 2020”, consideram PSD, CDS-PP e PPM.As
duas transportadoras da SATA fecharam o terceiro trimestre de 2020 com
prejuízos de 61 milhões de euros, valor superior aos 38,6 milhões
negativos do período homólogo de 2019.A
operação da SATA em 2020, à imagem da globalidade das transportadoras
aéreas, foi fortemente condicionada pela pandemia de Covid-19, tendo a
empresa parado a operação durante a maior parte do segundo trimestre do
ano.Todavia, os prejuízos globais do grupo
açoriano haviam já sido de 53 milhões de euros em 2019, valor em linha
com a perda registada em 2018.A SATA pediu
recentemente um auxílio estatal de 133 milhões de euros, operação
aprovada por Bruxelas e que segue em paralelo com o plano de
reestruturação.No entanto, a Comissão
Europeia abriu um procedimento para Portugal provar que os três aumentos
de capital recentes na transportadora açoriana não foram ajudas do
Estado.O plano de reestruturação da
companhia aérea, apresentado na sexta-feira, prevê para este ano uma
perda de 28 milhões de euros, em 2022 o resultado deverá andar perto do
zero e, em 2023, já são admitidos lucros na casa dos 23 milhões de
euros.A transportadora pretende conseguir, até 2025, poupanças totais de 68 milhões de euros.Os
"quatro pilares" que levarão às referidas poupanças são a
reestruturação da frota, a eficiência operacional, a negociação com
fornecedores e a agilização do trabalho.Serão
também aplicados cortes de 10% nos vencimentos acima dos 1.200 euros
brutos mensais ou rescisões negociadas de trabalhadores.Já saíram, em regime de reformas antecipadas ou pré-reformas, um total de 48 quadros, sendo esperadas mais 100 saídas até 2023.