PSD ataca Carlos César com caso do reembolso das viagens dos Açores
6 de dez. de 2018, 17:25
— Lusa/AO Online
A
acusação de Fernando Negrão surgiu escassas duas horas depois de Carlos
César ter dito que acionará mecanismos para afastar da bancada
socialista deputados que comprovadamente tenham comportamentos
fraudulentos, como falsas presenças ou que registem moradas sem
correspondência com a realidade. “Todos
nós sabemos que Carlos César tem um problema ainda não esclarecido
quanto ao reembolso das viagens” para os Açores, afirmou Negrão aos
jornalistas, no parlamento. O
líder da bancada social-democrata considerou ainda que se se aplicasse
“o princípio por ele enunciado”, Carlos César “já não seria deputado do
PS”.E
questionado sobre o facto de César ter dito que o seu aviso tinha por
base apenas o caso das presenças fantasma, Negrão anotou uma
curiosidade, com ironia.“É
muito curioso. Parece que só há um problema na Assembleia da República a
respeito destes comportamentos irregulares, que são as questões da
‘password’. Mas há também a questão das viagens para as regiões
autónomas”, recordou. O
dia parlamentar de hoje está a ficar marcado, nos corredores de São
Bento, pela demissão da deputada Mercês Borges dos cargos que ocupava na
bancada do PSD, horas depois de o jornal ‘online’ Observador ter
noticiado que foi ela a votar pelo deputado Feliciano Barreiras Duarte,
ausente no momento da votação, no Orçamento do Estado de 2019, em 30 de
novembro. Carlos
César, bem como outros deputados do PS, PSD e Bloco de Esquerda eleitos
pelos círculos dos Açores e da Madeira estão envolvidos numa polémica
por beneficiarem nas suas deslocações de um apoio pago pela Assembleia
da República em acumulação com um reembolso por serem residentes nas
duas regiões autónomas.A
notícia sobre a duplicação de abonos para deslocações dos deputados
eleitos pelas Regiões Autónomas foi avançada, em abril, pelo semanário
Expresso e levou à renúncia do deputado do Bloco de Esquerda eleito pela
Madeira Paulino Ascensão.Em
abril, Carlos César rejeitou que beneficie de duplo apoio nas suas
viagens aos Açores, salientando que o atual modelo vigora há várias
décadas, tendo sido também utilizado por quem assumiu altos cargos do
Estado.