PSD acusa Ventura de “figura triste” e Carneiro de demagogia
Incêndios
27 de ago. de 2025, 17:05
— Lusa/AO Online
Numa intervenção no debate na
Comissão Permanente da Assembleia da República sobre a situação dos
incêndios, Hugo Soares desafiou José Luís Carneiro a esclarecer onde é
que estava quando começaram os incêndios deste verão.“Estava
na Festa da Sardinha, em Portimão, a falar da sardinha em Portimão e da
qualidade da sardinha algarvia. Sabe, senhor deputado José Luís
Carneiro, eu não o censuro por estado na Festa da Sardinha em Portimão –
gabo-lhe até o bom gosto -, o que eu o censuro é as vezes que se junta à
demagogia da extrema-direita”, acusou.Hugo
Soares acusou o secretário-geral do PS de se juntar à demagogia do
Chega “para criticar um Governo que esteve serenamente a fazer aquilo
que lhe competia, que era estar ao leme da coordenação política e
garantir que nada falhava às populações”.Abordando
a intervenção que José Luís Carneiro tinha feito minutos antes – na
qual procurou demarcar-se da postura de Montenegro, frisando que, quando
foi ministro da Administração Interna, esteve junto das populações após
tragédias –, Hugo Soares afirmou que o atual secretário-geral do PS não
fez “mais do que a sua obrigação”.“Como
este Governo faz mais do que a obrigação de estar junto das populações
depois de as coisas acontecerem para reparar, para poder estar junto das
pessoas e devolver à condição anterior aquilo que aconteceu”, disse.Hugo
Soares citou ainda declarações de há uns anos de José Luís Carneiro e
de António Costa durante o Governo PS, na qual frisavam que os incêndios
iam ser recorrentes devido às alterações climáticas, para salientar
que, “é unânime, infelizmente, a inevitabilidade” desses fenómenos e o
que é importante é garantir que se faz “tudo a montante, durante o
combate, e a jusante para minorar os efeitos”. Depois
destas críticas ao secretário-geral do PS, Hugo Soares dirigiu-se a
André Ventura, que o tinha aconselhado a visitar áreas ardidas, para
salientar que, ainda o atual líder do Chega “andava nas televisões de
cachecol a discutir futebol”, e ele já andava no terreno a visitar áreas
ardidas, em 2017.“Sabe qual é a grande
diferença? É que nem eu, nem os deputados que estão sentados atrás de
mim que ajudaram as populações a combater os fogos, fizeram a sua figura
triste de publicar nas redes sociais a combater um fogo que já estava
extinto”, acusou, numa alusão a uma publicação de André Ventura nas
redes sociais. Hugo Soares reiterou ainda
que, “na generalidade, o Estado não falhou às populações, porque as
estradas foram fechadas a tempo e horas, as populações foram evacuadas a
tempo e horas” e porque garantiu que não houve “vidas ceifadas”.Após
esta intervenção, André Ventura garantiu que o Chega vai impor uma
comissão de inquérito à gestão dos incêndios desde 2017 e, numa resposta
a Hugo Soares, salientou que prefere ir para junto dos bombeiros do que
para a Faixa de Gaza, numa crítica à coordenadora do BE, que vai
juntar-se a uma flotilha humanitária que vai viajar até ao enclave
palestiniano. Esta crítica gerou uma
discussão entre Mariana Mortágua e André Ventura, com a coordenadora do
BE a defender que optou por tomar partido a favor de um território onde
estão ser cometidos “crimes de guerra” e estão a ser exterminadas
“milhares de pessoas” e a mostrar uma foto do líder do Chega ao lado de
um ministro do Governo de Netanyahu.“Ambos
tomámos partido. Eu estarei do lado da história de quem combateu o
genocídio e quis levar ajuda humanitária a Gaza. O senhor deputado
estará do lado da história de quem fingiu não ver milhares de crianças a
morrer e ainda quis usar isso como jogo político”, acusou.