PSD acusa Governo de “atuar à margem da lei” por não enviar pareceres sobre demissão da CEO
19 de abr. de 2023, 10:25
— Lusa/AO Online
Em declarações à
agência Lusa, o coordenador do PSD na comissão de inquérito à TAP,
Paulo Moniz, explicou que o partido pediu, através de um requerimento, a
fundamentação jurídica referida pelo ministro das Finanças, Fernando
Medina, "aquando da conferência de imprensa do dia 6 de março que
anunciou o despedimento por justa causa da senhora CEO da TAP”.“Acontece
que fomos surpreendidos, imensamente surpreendidos, aliás, estupefactos
com o facto de não nos ter sido remetida esta informação, onde
imediatamente resulta claro que os senhores ministros não só iludiram os
portugueses quanto à propalada segurança jurídica da sua decisão, como
também se conclui que estes mesmos ministros atuam à margem da lei”,
acusou o social-democrata.Em causa,
segundo o deputado, está o facto dos ministros das Finanças e das
Infraestruturas “esconderem documentos da comissão parlamentar de
inquérito em claro desrespeito pelo próprio regime jurídico dos
inquéritos parlamentares e pelos poderes da própria Assembleia da
República”.“Isto é uma situação
inacreditável e, portanto, nós requeremos uma reunião de emergência da
comissão parlamentar de inquérito para podermos deliberar e tomar uma
posição sobre uma resposta desta natureza ao arrepio da lei”, revelou.No
requerimento onde é pedida esta reunião – que o PSD quer que se realize
antes da audição da comissão de inquérito marcada para esta tarde - é
citada a resposta que chegou dos ministérios de Fernando Medina e de
João Galamba.“A Resolução da Assembleia da
República n.º 7/2023, de 14 de fevereiro, foi aprovada no dia 3 de
fevereiro de 2023 para constituição de uma comissão de inquérito à
tutela política da gestão da TAP SGPS e da TAP SA. Nos seus termos, foi
delimitado o respetivo objeto (cfr. alíneas a) a g) da referida
resolução) e, bem assim, o horizonte temporal (período entre 2020 e
2022)”, referem.Segundo a mesma resposta
do Governo, “extravasando o aludido objeto da comissão parlamentar de
inquérito e/ou reportando-se a factos posteriores à respetiva
constituição, as informações requeridas não recaem no escopo” do Regime
Jurídico dos Inquéritos Parlamentares. Para Paulo Moniz, “não cabe ao Governo avaliar da necessidade e da oportunidade da documentação” que é pedida pelos deputados.“Isto
é da esfera exclusivamente da comissão parlamentar de inquérito, das
forças políticas e dos elementos que a integram e que entendem a
necessidade dos documentos que vierem a ser solicitados para o seu
trabalho. Não cabe aos ministros tecerem avaliações da pertinência ou
não daquilo que é solicitado em matéria documental”, defendeu.Insistindo
que esta resposta do Governo surge ao “arrepio do cumprimento da lei” e
representa um “desrespeito profundo” e “de afronta àquilo que são os
poderes para o órgão de soberania Assembleia da República”, o deputado
do PSD quer que a comissão de inquérito se reúna hoje mesmo para
“encontrar as ferramentas e os mecanismos” para poder ter acesso aos
documentos que pediu.Em 04 de abril,
precisamente no dia da audição da CEO da TAP, o PSD pediu os documentos e
pareceres que deram “respaldo jurídico” à decisão do Governo de
despedir por justa causa Christine Ourmières-Widener para averiguar se
foi a decisão que “melhor salvaguarda os interesses dos contribuintes
portugueses”.“O PSD quer ter a certeza de
que entre a sexta-feira de assinatura da proposta de relatório [da IGF] e
a segunda-feira de homologação, se existem todos estes documentos,
todos estes pareceres que, com segurança inequívoca, apontem a figura de
despedimento por justa causa como a melhor solução para resolver esse
problema e como aquela solução que melhor salvaguarda os interesses dos
contribuintes portugueses”, disse então aos jornalistas Paulo Moniz.