PSD/Açores questiona Governo Regional sobre alterações a modelo de evacuações médicas
26 de set. de 2019, 17:36
— Lusa/AO Online
"No fundo, queremos saber se essas orientações
já estão em prática, nomeadamente as diferenças entre o atual modelo e o
modelo em vigor na data da evacuação que motivou a elaboração do
relatório pela Inspeção Regional de Saúde", adiantou a vice-presidente
da bancada parlamentar do PSD na Assembleia Legislativa, Mónica Seidi,
citada num comunicado de imprensa.Em 02 de
fevereiro de 2017, a Proteção Civil dos Açores recebeu dois pedidos de
retirada de doentes de ilhas sem hospital, quase em simultâneo: um de
uma criança de 13 meses com uma depressão respiratória num contexto de
convulsão febril na ilha Graciosa e outro de uma jovem de 20 anos com um
traumatismo cranioencefálico em São Jorge.A
coordenadora dos médicos reguladores (que tomam decisões sobre a
retirada de doentes) enviou, na altura, uma carta ao presidente da
Proteção Civil, dizendo que foi inicialmente decidido retirar os dois
doentes na mesma deslocação de helicóptero, mas que a presidente do
conselho de administração do Hospital da Ilha Terceira pressionou a
médica para dar prioridade à doente de São Jorge, que era sua familiar.O
secretário regional da Saúde à altura, Rui Luís, optou por não abrir um
inquérito, mas em agosto de 2018, quando o caso foi relatado pelo
jornal Diário dos Açores, o presidente do executivo açoriano, Vasco
Cordeiro, decidiu abrir um inquérito "urgente".Em
resultado desse inquérito, Vasco Cordeiro emitiu um despacho em 09 de
outubro de 2018 com várias orientações para a tutela da Saúde, para a
Proteção Civil dos Açores e para o Hospital de Santo Espírito da Ilha
Terceira, definindo os prazos em que deveriam ser cumpridas.Num
requerimento enviado à Assembleia Legislativa dos Açores, o PSD
pergunta "quando será apresentada alguma proposta de ato legislativo ou
regulamentar, para esta matéria, por parte do Governo Regional, conforme
previsto no referido despacho" e pede a relação "das entidades ouvidas
para se apurar uma melhoria face ao modelo em vigor no passado".Os
social-democratas solicitam ainda ao Serviço Regional de Proteção Civil
e Bombeiros dos Açores "os dados do procedimento objetivo para o
estabelecimento de prioridades pelo médico regulador, que já tinha sido
sugerido previamente pela Inspeção Regional de Saúde, no relatório afeto
ao já referido processo". Em 09 de
outubro de 2018, Vasco Cordeiro deu um prazo de 30 dias ao secretário
regional da Saúde para apresentar propostas que procedessem "à definição
formal dos mecanismos de articulação e colaboração entre as diversas
entidades ou seus representantes que intervêm no âmbito das evacuações
aéreas".No despacho, a que a Lusa teve
acesso na altura, o presidente do executivo defendeu ainda a necessidade
de "disciplinar o acesso ao médico regulador por parte de entidades
externas ao processo de evacuação aérea ou ao serviço em que o mesmo se
integra" e de "criação ou reforço de mecanismos de informação e
comunicação dos médicos da estrutura de saúde de origem e destino com as
famílias de doentes cuja decisão de evacuação esteja pendente de
decisão" e de "mecanismos que favoreçam a agilização de procedimentos e
rápida decisão do médico regulador em processos de evacuação".O
secretário regional da Saúde à época tinha também 30 dias para definir
formalmente "procedimentos para tratamento de queixas suscetíveis de
originar inquéritos por parte da IRS [Inspeção Regional da Saúde]",
estabelecendo procedimentos e critérios objetivos para a fundamentação
das decisões. A Proteção Civil dos Açores
tinha 60 dias para criar um "algoritmo ou procedimento objetivo para o
estabelecimento de prioridades pelo médico regulador" e o Hospital da
Ilha Terceira deveria cumprir as recomendações feitas pela IRS
"relativas às escalas de profissionais de saúde afetos à Unidade de
Deslocações e de Evacuações Aéreas", para que os turnos não excedam as
12 horas.