PSD/Açores propõe verba no Orçamento para estudar cancro na região
29 de nov. de 2017, 09:20
— Lusa/AO Online
“É chegado o
momento de, em primeiro lugar, atualizarmos os dados disponíveis”,
começou por dizer o deputado do PSD Luís Maurício, explicando que os
últimos dados publicados, em 2015, se referem a 2011.O
parlamentar social-democrata falava na Horta, ilha do Faial, onde hoje
continuou o debate das propostas de Plano e Orçamento regionais para
2018, perguntando ao secretário regional da Saúde, Rui Luís, o que está o
executivo açoriano disposto a fazer por esta matéria.“Pelo
conhecimento destes dados e pelo relacionamento que temos tido com
colegas desta área, temos a noção de que algo de estranho se passa nos
Açores. Há incidências de determinados tipos de cancro que são muito
superiores às de outros espaços nacionais”, declarou Luís Maurício,
considerando que “é chegado o momento de estudar as causas dessa
incidência, para além daquelas que se conhecem como fatores de risco”.Antes,
o parlamentar alertou para a situação dos cuidados continuados,
referindo que há camas contratualizadas que não estão a ser ocupadas por
“falta de enfermeiros e assistentes operacionais”, dando exemplos da
Ribeira Grande e Vila Franca do campo, na ilha de São Miguel.O
secretário regional da Saúde explicou que “está já a ser elaborado o
novo RORA [Registo Oncológico Regional dos Açores] relativamente aos
anos que está em falta”, adiantando haver agora “um compasso de espera
curto devido à legislação nacional que foi publicada recentemente quanto
ao registo oncológico nacional ao qual” o arquipélago tem de estar
integrado.“Além
da recolha dos elementos que já foram efetuados, há esta necessidade de
adequação ao registo nacional. A minha intenção é que durante o ano de
2018 publiquemos os dados mais recentes relativamente a esta matéria”,
adiantou Rui Luís.Sobre a situação dos cuidados continuados, o governante informou que a rede “foi aumentada este ano”.“Temos
uma rede de 264 camas onde estão 202 operacionais. O nosso objetivo
durante o ano de 2018 é encetar todos os esforços para que os recursos
que sejam necessários para a totalidade das camas estejam operacionais”,
referiu.O
deputado do PS Dionísio Faria e Maia observou que o cancro é “muitas
vezes é utilizado aqui como uma arma de comparação ou de viabilização”
do Sistema Regional de Saúde, salientando que aquela doença “é a segunda
causa de morte em toda a Europa, com taxas que vão dos 26% aos 29%”.Dionísio
Faria e Maia considerou, por outro lado, que “em saúde tem de haver
prioridades, porque os custos são crescentes, os recursos são finitos,
as decisões têm de estar sempre relacionadas” com custo-beneficio, além
da necessidade de envolver os utentes.A
proposta de Orçamento dos Açores para o próximo ano é de 1.292 milhões
de euros, valor sensivelmente igual ao do corrente ano, enquanto o Plano
de Investimentos global é de 753 milhões de euros, um decréscimo de
cerca de 3% face ao de 2017.As
áreas da Saúde e da Proteção Civil, ambas da dependência da Secretaria
Regional da Saúde, concentram para o ano 2018 um investimento público de
34,2 milhões de euros.