PSD/Açores preocupado com a redução "significativa" de professores colocados
1 de set. de 2020, 19:12
— Lusa/AO online
Segundo
a número três da lista do partido candidata às próximas eleições
regionais pelo círculo de São Miguel, Sofia Ribeiro, a “redução
significativa da colocação de professores”, seja em regime de afetação,
seja de contratação, é umas das “grandes preocupações” dos
sociais-democratas.“Não é possível promovermos o sucesso escolar na região reduzindo o número de professores”, declarou à agência Lusa.Sofia Ribeiro falava hoje, em Ponta Delgada, após uma reunião com o Sindicato Democrático dos Professores dos Açores.A
antiga eurodeputada referiu que existe uma redução superior a 10% no
número de docentes colocados na região e salientou que os Açores estão
na “cauda do país e da Europa no que concerne aos rácios na educação”.Sofia
Ribeiro também recordou o “ano especial” devido à covid-19, destacando
ser necessário aferir “em que ponto de situação” está a educação dos
alunos, após parte do ano letivo passado ter sido lecionado à distância.A
candidata do PSD/Açores, professora de profissão, acrescentou que no
continente, o Ministério da Educação, liderado por Tiago Brandão
Rodrigues, aumentou a colocação de professores face à pandemia da
covid-19.“O ministro da Educação anunciou
que vai colocar mais 2.500 professores face à situação de pandemia. Nós
aqui na região estamos a fazer o percurso contrário e estamos a
reduzir”, declarou.Sofia Ribeiro alertou
para a “situação desumana” que se tem verificado na região no que diz
respeito ao “recurso sucessivo a professores contratados, violando uma
diretiva europeia”.“Hoje, dia 01 setembro,
temos professores nos Açores, com oito, nove, dez anos de serviço e que
no dia 02 estão desempregados, fruto desta redução [do número de
colocações]. É preciso inverter rapidamente esta situação se queremos
ter sucesso educativo”, afirmou.A
social-democrata também referiu existir uma “grande indefinição”
relativamente às condições de funcionamento das escolas devido à
covid-19, dando o exemplo das aulas de Educação Física, cujos
“professores não sabem em que condições vão trabalhar”.O
presidente do Sindicato Democrático dos Professores dos Açores, Ricardo
Batista, disse ser preocupante, nesta altura, as diretrizes da
Autoridade de Saúde sobre o funcionamento das escolas “serem poucas ou
nenhumas”.O sindicalista referiu que a
redução do número de professores acarreta “dificuldades acrescidas” para
a escola e para os alunos, criticando “o mesmo drama de sempre” vivido
por muitos professores antes do início de cada ano letivo a propósito
das colocações.“O que seriamente nos
preocupa é a confusão que a tutela faz passar frequentemente do que são
necessidades permanentes e do que são necessidades transitórias”,
afirmou.Este ano foram colocados 435 professores nos Açores, enquanto no ano letivo passado foram colocados 490.Segundo
dados da Pordata, referentes a 2019, os Açores têm a taxa de abandono
escolar precoce mais elevada do país (27%), quando a média nacional se
situa nos 10,6%.