PSD/Açores pede intervenção do PR para corrigir "discriminação" de agricultores
17 de mai. de 2023, 17:13
— Lusa
“Estamos
a falar de uma atitude discriminatória do Governo da República, da qual
o senhor Presidente da República não pode alhear-se e apelamos por isso
à sua intervenção, porque isto tem de ser corrigido imediatamente. É
muito dinheiro que os agricultores açoriano estão a perder”, afirmou o
líder da bancada parlamentar do PSD nos Açores, João Bruto da Costa, à
margem de uma visita a uma exploração agrícola na ilha Terceira.Em
causa estão duas portarias publicadas em Diário da República, na
quinta-feira, um “auxílio estatal em apoio da economia na sequência da
agressão da Ucrânia pela Rússia” e uma “medida extraordinária de apoio
aos agricultores do continente, destinada a mitigar o efeito da subida
dos preços dos custos de produção para o ano de 2023”.O
secretário regional da Agricultura e Desenvolvimento Rural e a
Federação Agrícola dos Açores já contestaram estes apoios, por não se
aplicarem aos agricultores da região.Para o
PSD/Açores, que integra o executivo açoriano, em coligação com CDS-PP e
PPM, “estão em causa as relações do Estado com a região autónoma” e “a
igualdade de todos os portugueses”, por isso o Presidente da República,
Marcelo Rebelo de Sousa, tem “um papel fundamental de intervenção”.“O
Presidente da República, perante uma atitude discriminatória entre
portugueses, não pode deixar de ter uma palavra, também porque reconhece
este dever de solidariedade nacional, que os agricultores açorianos
merecem”, frisou João Bruto da Costa.O
líder da bancada parlamentar social-democrata nos Açores disse que este
apoio representaria “mais de 15 milhões de euros” para os agricultores
açorianos, que receberiam 56 euros por animal, nas explorações de carne,
e 185 euros por animal, nas explorações de leite.“Esta
ajuda destina-se a colmatar as dificuldades provocadas pelo aumento dos
custos de produção, que como sabemos, por dificuldades de transportes,
por necessidades insulares, são mais prementes nos Açores”, apontou.João
Bruto da Costa acusou o Governo da República (PS) de ter reiteradamente
uma atitude “centralista”, “anti-autonomista” e “vingativa”, dando
outros exemplos, como “as dívidas do furacão Lorenzo”, o “não lançamento
das obrigações de serviço público” nas ligações aéreas, o programa
“Apoiar Freguesias” ou “o apoio às empresas no aumento do salário
mínimo”.“É um padrão que vem sendo
reiterado de comportamentos do Governo da República perante os açorianos
e acontece nos últimos dois anos [quando o executivo da coligação tomou
posse]. Começou com várias atitudes que são práticas reiteradas. Neste
momento, os Açores têm muito dinheiro que é devido pela República, que
não é transferido e naturalmente prejudica a economia dos Açores”,
salientou.Para o deputado
social-democrata, o facto de os Açores serem uma região autónoma não
pode se justificar a exclusão dos agricultores açorianos destes apoios.“Estamos
a falar de um auxílio de Estado, justificado pela própria ministra, nas
portarias que publica, com a necessidade, por via da insuficiência do
auxílio europeu. Autorizado esse auxílio de Estado, é um auxílio
nacional, é para todos os portugueses. Não há hipótese de justificar de
outra maneira que não um ataque às autonomias, que tem de ser
rapidamente corrigido, sob pena de estarmos aqui a ter um tratamento
desigual, discriminatório e inaceitável por parte do Governo da
República”, vincou.