PSD/Açores pede explicações sobre “dívida oculta” de gestão socialista na SATA
10 de nov. de 2024, 17:24
— Lusa
O jornal
Açoriano Oriental avança na sua edição de hoje que uma sentença de 31 de
outubro do Tribunal Superior de Inglaterra e País de Gales "condenou a
Azores Airlines, do grupo de aviação SATA, a pagar mais três milhões de
dólares (aproximadamente 2,7 milhões de euros) à Hi Fly, por causa do
A330, mais conhecido como 'Cachalote', cujo custo atingirá quase 45
milhões de euros".De acordo com o
documento a que o matutino teve acesso, "o juiz adjunto do Tribunal
Superior deu razão à Hi Fly e à AELF (Aircraft Engine Lease Finance),
autoras do processo", e "considerou a companhia aérea açoriana
responsável pelas rendas não pagas, pagamento de reserva de manutenção e
juros de mora do avião".Num requerimento
entregue na Assembleia Legislativa dos Açores, o líder parlamentar do
PSD/Açores solicita ao Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) informações
sobre o “impacto financeiro e na tesouraria” do grupo SATA desta decisão
judicial.“Com esta decisão judicial, a
opção pela aeronave Airbus A330 irá representar um prejuízo total de
cerca de 50 milhões de euros para a SATA, agravando a situação
financeira da companhia aérea açoriana”, sustenta João Bruto da Costa,
no requerimento.De acordo com o presidente
do grupo parlamentar do PSD/Açores, “trata-se de uma dívida oculta
deixada pela gestão socialista na SATA que deve ser devidamente
explicada, independentemente da investigação judicial que se encontra em
curso ao negócio do aluguer do Airbus A330”, conhecido como
'Cachalote'.Na nota de imprensa, o
PSD/Açores lembra que, segundo uma auditoria do Tribunal de Contas
revelada em abril de 2023, o aluguer do Airbus A330 “foi uma decisão
estratégica não sustentada tecnicamente” e que originou “perdas na ordem
dos 42 milhões de euros”.“Como se esta
situação não tivesse já sido suficientemente penalizadora para a
companhia aérea, é agora tornado público que o grupo SATA poderá ter de
pagar sete milhões de dólares adicionais (cerca de seis milhões de
euros) pela cessação antecipada do contrato de locação do Airbus A330”,
salienta João Bruto da Costa.Os
sociais-democratas açorianos pretendem ainda saber quais “os motivos e
os factos que levaram à condenação da Azores Airlines pelo Tribunal
Comercial de Londres” e em que medida "a condenação da empresa
condiciona a estratégia definida pelo atual conselho de administração
para o grupo SATA”.João Bruto da Costa
desafia ainda o PS a "assumir, com rigor e verdade, as suas enormes
responsabilidades no descalabro financeiro do grupo SATA", considerando
que a decisão agora conhecida "é apenas mais um exemplo”.“O
PS e o deputado Francisco César não podem fugir às suas
responsabilidades políticas, em consequência da politização que
impuseram na gestão do grupo SATA”, apontou.O
aluguer do avião Airbus A330 para integrar a frota da SATA em 2016
motivou buscas realizadas em 18 de junho pela Polícia Judiciária (PJ)
nas instalações da companhia aérea, conforme revelou à agência Lusa
fonte da empresa em junho de 2024.O
contrato de ‘leasing’ custou à SATA mais de 40 milhões de euros, tendo o
aparelho ficado parado durante dois anos, devido aos elevados custos de
manutenção, segundo um ofício do Governo dos Açores revelado em março
de 2021.