PSD/Açores diz que secretário regional da Saúde não tem condições para continuar no cargo
15 de out. de 2018, 12:40
— Lusa/AO Online
“Apesar
dos factos muito graves apurados pelo inquérito da Inspeção Regional da
Saúde, o senhor presidente do Governo [Regional] prefere que a culpa
morra solteira. Se Vasco Cordeiro ainda tivesse algum sentido de
decência política, já teria percebido há muito tempo que o secretário
regional da Saúde deixou de ter condições para continuar no cargo”,
adiantou Mónica Seidi, vice-presidente da bancada parlamentar do PSD no
parlamento açoriano.Em
02 de fevereiro de 2017, a Proteção Civil dos Açores recebeu dois
pedidos de retirada de doentes de ilhas sem hospital, quase em
simultâneo: um de uma criança de 13 meses com uma depressão respiratória
num contexto de convulsão febril na ilha Graciosa e outro de uma jovem
de 20 anos com um traumatismo cranioencefálico em São Jorge.A
coordenadora dos médicos reguladores (que tomam decisões sobre as
evacuações) enviou, na altura, uma carta ao presidente da Proteção
Civil, dizendo que foi inicialmente decidido retirar os dois doentes na
mesma deslocação de helicóptero, mas que a presidente do conselho de
administração do Hospital da Ilha Terceira pressionou a médica para dar
prioridade à doente de São Jorge, que era sua familiar.O
secretário regional da Saúde, Rui Luís, optou, nessa altura, por não
abrir um inquérito, mas em agosto deste ano, quando o caso foi relatado
pelo jornal Diário dos Açores, o presidente do executivo açoriano
decidiu abrir um inquérito “urgente”, que foi conhecido na passada
quarta-feira.Para
a deputada social-democrata, o inquérito “não deixa margem para
dúvidas” e prova que “diversas pessoas alheias ao processo interferiram
na decisão médica reguladora”, incluindo o secretário regional da Saúde.
“Todas as
regras foram quebradas em benefício da familiar de uma gestora pública
nomeada pelo governo do Partido Socialista, cuja evacuação médica não
era necessária, segundo o inquérito. Todas regras foram quebradas em
prejuízo de uma bebé de 13 meses”, frisou.Mónica
Seidi sublinhou que Rui Luís não só “abafou” o caso, ao não ter aberto
um inquérito em 2017, como “interferiu na evacuação médica, sem ter
qualquer autoridade legal ou técnica”.“Por
este andar, o ainda secretário regional da Saúde vai passar a telefonar
para os hospitais, dizendo quais são os doentes que devem ter
prioridade para serem operados”, apontou.Para
a deputada social-democrata, o presidente do Governo Regional
“tornou-se cúmplice dos abusos de poder cometidos”, por ter decidido
“não tirar consequências políticas deste caso”. “O
Governo Regional dos Açores tem hoje uma liderança frágil e sem
autoridade. Mesmo com um inquérito repleto de provas de interferências
ilegítimas, o presidente do Governo recusou apontar responsáveis”,
salientou.Em
setembro, antes de tornar público o relatório da Inspeção Regional da
Saúde, Vasco Cordeiro nomeou um novo diretor regional da Saúde e novos
presidentes para os conselhos de administração do Hospital da Ilha
Terceira e da Unidade de Saúde da Ilha Graciosa.No
dia em que foi conhecido o resultado do inquérito, o secretário
regional da Saúde admitiu que errou ao não mandar abrir um inquérito.“Refletindo
um ano e meio depois, foi um erro que foi tomado da minha parte. Com
certeza que deveria ter ponderado melhor e aberto o inquérito, até nessa
perspetiva da melhoria que o sistema necessita”, afirmou.