PSD/Açores acusa PS de "posição contraditória" sobre evolução turística
Hoje 16:57
— Lusa
Na sexta-feira, o PS/Açores alertou que a “região está à deriva” e criticou a “incapacidade” do Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) face à redução dos indicadores turísticos, defendendo como prioridade o regresso de companhias aéreas de baixo custo ('low-cost').Hoje, citado num comunicado de imprensa do PSD/Açores, o parlamentar social-democrata Rúben Cabral, considera que as recentes declarações do PS "revelam uma posição contraditória sobre a evolução do setor turístico regional"."Em 2024, o Partido Socialista alertava para os riscos do crescimento desordenado e para a pressão turística sobre o território. Agora, perante indicadores superiores aos registados em 2024, fala em retrocesso. A contradição é evidente", afirma o deputado.O parlamentar social-democrata sublinha que o objetivo "nunca foi aumentar o número de turistas a qualquer custo, mas sim qualificar o destino para gerar mais valor, diversificar rotas e companhias aéreas e melhorar a distribuição dos fluxos por toda a Região".O social-democrata compreende que "a Região deve ambicionar mais turistas", mas defende que esse objetivo "não se deve sobrepor à necessidade de gerar mais valor para a economia regional, através da qualificação do destino".Por outro lado, Rúben Cabral sublinha que se deve "garantir que os Açores continuem acessíveis aos próprios açorianos".Segundo o social-democrata, o PS/Açores continua focado exclusivamente na quantidade de visitantes e dá exemplos de outros destinos turísticos, como a Madeira, onde o debate se centra na “alteração do perfil dos visitantes, provocada pelo crescimento das companhias aéreas 'low-cost' e para a necessidade de reposicionar a oferta turística, num contexto em que os desafios assentam cada vez mais no valor acrescentado e na sustentabilidade"."Durante muitos anos, os Açores dependeram excessivamente de poucos mercados emissores. Hoje, são um destino mais diversificado, mais resiliente e menos vulnerável às oscilações de poucos mercados ou de apenas duas ou três companhias aéreas", vincou.Recordando "a saída da EasyJet e da Delta Air Lines durante os governos socialistas", Rúben Cabral considera “pouco coerente que o PS procure agora atribuir ao atual Governo a responsabilidade por todas as alterações verificadas no setor da aviação”.O deputado assinala ainda que as decisões das companhias aéreas dependem das suas “estratégias empresariais, da conjuntura económica internacional e da rentabilidade das operações”, afirmando que “nenhum Governo consegue impor a uma companhia privada as rotas que esta deve operar".Na sua perspetiva, o Governo de José Manuel Bolieiro "não está apenas a gerir o crescimento turístico, mas também a corrigir décadas de ausência de planeamento estratégico e de adaptação do território a uma realidade turística muito diferente".Os Açores registaram, pelo nono mês consecutivo, uma descida no número de dormidas em alojamentos turísticos, em junho, com uma quebra de 3,8% face ao período homólogo, segundo dados do Serviço Regional de Estatística (SREA).Segundo o SREA, em junho, no “conjunto dos estabelecimentos de alojamento turístico (hotelaria, alojamento local e turismo no espaço rural) dos Açores registaram-se 506,4 mil dormidas, valor inferior em 3,8% ao registado no mês homólogo”. Esta é a nona descida homóloga consecutiva no número de dormidas em alojamentos turísticos na região, de acordo com os resultados preliminares de junho. No primeiro semestre de 2026, os Açores somaram 1,8 milhões de dormidas em alojamentos turísticos (-4,6%) e 578,4 mil hóspedes (-3,6%).A redução de dormidas no arquipélago segue uma tendência contrária à verificada a nível nacional, já que o país cresceu, em média, 0,7% em junho e 1,3% no primeiro semestre do ano, segundo o SREA.