PSD aceita estado de emergência e discorda da realização de Congresso do PCP
Covid-19
18 de nov. de 2020, 18:55
— Lusa/AO Online
Estas
posições foram transmitidas aos jornalistas pelo vice-presidente do PSD
Nuno Morais Sarmento, no Palácio de Belém, em Lisboa, após uma reunião
com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que está desde
terça-feira a ouvir os partidos sobre o Orçamento do para 2021, a
pandemia de covid-19 e o estado de emergência.Segundo
Nuno Morais Sarmento, "o PSD está de acordo, não obstaculiza que esse
quadro legal excecional se mantenha", mas adverte o Governo de que a
adoção de medidas com "excessivas diferenciações ou cores ou
classificações" poderá deixar os portugueses "mais confundidos do que
agora estão"Para o PSD, em segundo lugar,
"estas decisões têm de ser iguais para todos" e não podem ser permitidas
"realidades diferentes, que os portugueses já não entenderam no
passado"."Não entendemos que fechem
supermercados e restaurantes, que se obrigue as famílias portuguesas a
estar em casa e que depois se realizem, por exemplo, congressos
partidários", afirmou, numa alusão ao Congresso do PCP que está marcado
para 27, 28 e 29 deste mês, em Loures, no distrito de Lisboa.Morais
Sarmento apontou "o exemplo" do seu partido, que decidiu adiar o
congresso do PSD/Madeira que estava também previsto para este mês. "Não
nos compete a nós mais do que referir como exemplo que as seguimos.
Queremos, no entanto, deixar bem clara a nossa total discordância quanto
à situações para todos os portugueses e exceções para alguns deles",
frisou.Questionado sobre o facto de o
regime legal do estado de sítio e do estado de emergência estabelecer
que "as reuniões dos órgãos estatutários dos partidos políticos,
sindicatos e associações profissionais não serão em caso algum
proibidas, dissolvidas ou submetidas a autorização prévia", Morais
Sarmento respondeu que não está em causa "nenhuma proibição", mas "um
exercício de bom senso"."A nós compete-nos
apenas e só referir o exemplo construtivamente de que perante a mesma
decisão neste calendário optámos pelo adiamento", acrescentou.O
atual período de 15 dias de estado de emergência, que começou às 00:00
de segunda-feira e termina às 23:59 de 23 de novembro, foi aprovado no
parlamento com votos a favor de PS, PSD e CDS-PP, abstenções de BE, PAN e
Chega e votos contra de PCP, PEV e Iniciativa Liberal.Para
renovar por mais 15 dias este quadro legal para a adoção de medidas de
contenção da covid-19, Marcelo Rebelo de Sousa tem de ter ouvir o
Governo e de autorização da Assembleia da República, estabelece a
Constituição.De acordo com Nuno Morais
Sarmento, "o senhor Presidente da República e o senhor primeiro-ministro
entendem claramente como necessária a prorrogação do estado de
emergência", mas neste encontro não foi discutida "nenhuma medida" em
concreto.O vice-presidente do PSD reiterou
que para o seu partido todas as questões relacionadas com a pandemia de
covid-19 "são matérias que não permitem disputas político-partidárias" e
realçou que o estado de emergência "não é nenhum conjunto de medidas",
mas "apenas um quadro legal extraordinário que permite ao Governo tomar
decisões elas também extraordinárias".Morais
Sarmento insistiu na importância de o Governo anunciar as suas decisões
"de uma forma coerente" e com "uma comunicação clara", que "deixe os
portugueses com segurança e não com dúvidas". O
líder do grupo parlamentar social-democrata, Adão Silva, também esteve
presente nesta reunião com o chefe de Estado, e o presidente do PSD, Rui
Rio, participou através de videoconferência.