PSD à espera de ouvir Montenegro depois de cinco meses de transição
30 de jun. de 2022, 10:43
— Lusa/AO Online
Foi em 03 de
fevereiro que o ainda presidente do PSD, Rui Rio, anunciou que deixaria a
liderança na sequência da derrota nas legislativas de 30 de janeiro,
mas dizendo que gostaria que o processo decorresse até ao início de
julho, e não “de forma atabalhoada”.Apesar
de algumas divergências quanto ao calendário, o partido acabou por lhe
fazer a vontade e as eleições diretas realizaram-se apenas no final de
maio, ditando uma vitória claríssima de Luís Montenegro (72,5%) sobre o
antigo vice-presidente do partido Jorge Moreira da Silva (27,5%).Desde
28 de maio, o 19.º presidente eleito do PSD tem estado praticamente em
silêncio – só falou em iniciativas públicas por duas vezes e para
criticar o Governo, não dando qualquer entrevista -, e guarda, por
enquanto, recato sobre quem vai levar para os órgãos dirigentes que
serão eleitos no domingo ou se irá promover mudanças ao nível da bancada
parlamentar.A
composição da sua direção, sobretudo ao nível dos vice-presidentes, é
uma das principais pontos de interesse do Congresso: até agora, nenhum
nome está confirmado e apenas Hugo Soares é apontado como provável
secretário-geral, uma vez que tem sido ele a fazer a transição com o
ainda detentor do cargo, José Silvano.Internamente,
a dúvida entre várias fontes do PSD contactadas pela Lusa é se
Montenegro fará uma direção com o núcleo duro dos seus principais
apoiantes - entre os quais se contam além de Hugo Soares, Pedro Duarte,
Pedro Alves, Paulo Cunha, Margarida Balseiro Lopes, Carlos Coelho,
António Leitão Amaro ou Pedro Reis - ou se irá 'abrir' a outras
correntes do partido.O
40.º Congresso do PSD arrancará na sexta-feira à noite com o discurso
de despedida de Rui Rio - que já disse que a saída do cargo representa
também um ‘ponto final parágrafo’ no seu futuro político – e que deverá
fazer um balanço dos 4,5 anos de liderança. Rio ficará depois para
escutar o líder eleito, deixando o Congresso em seguida.Seguir-se-á
o primeiro discurso de Luís Montenegro perante o Congresso, na parte
reservada à defesa da sua moção de estratégia global, intitulada
“Acreditar”. O segundo, no encerramento do Congresso no domingo, é por
tradição mais virado para o país.A
moção contém compromissos como o lançamento do Movimento Acreditar, uma
espécie de estados gerais para elaborar o programa eleitoral até 2024, e
define o posicionamento do PSD como partido líder de todo o espaço
não-socialista, sem afastar em absoluto a possibilidade de entendimentos
futuros com o Chega.Luís
Montenegro prometeu anunciar no Congresso a composição da Comissão
Autárquica, que irá começar a preparar essa eleição de 2025 (já fora do
âmbito do seu mandato de dois anos), e diz ter a ambição de vencer todos
os atos eleitorais até 2026, a começar pelas europeias de 2024, o
primeiro teste do seu mandato e que irão anteceder novas eleições
diretas.Além
das questões partidárias, há várias outras sobre as quais Luís
Montenegro terá de se pronunciar em breve, como o futuro aeroporto de
Lisboa, a situação da saúde ou o aumento da taxa de inflação e dos
juros.A
nível programático, e apesar de a sua moção não falar sobre eutanásia
(pessoalmente é contra) nem sobre regionalização, é de esperar que possa
vir a tomar posições públicas sobre estes temas. Também
no parlamento - onde Montenegro já disse que terá um gabinete - há
dossiês que esperam pela consagração do novo líder para avançar, como o
contributo do PSD para o grupo de trabalho que está a discutir a
alteração ao Regimento e que poderá aumentar a periodicidade dos debates
com o primeiro-ministro (deixaram de ser quinzenais por vontade do PSD
de Rio e do PS, mas vários partidos querem revisitar o tema).A
constituição de uma comissão de inquérito sobre o acolhimento dos
refugiados ucranianos (uma ideia proposta por Montenegro na campanha
interna que o Chega transformou em iniciativa parlamentar, chumbada com a
abstenção dos sociais-democratas) ou até o que fazer com os projetos
‘herdados’ da anterior direção de revisão da lei eleitoral da Assembleia
da República e de revisão da Constituição são outros temas que aguardam
respostas por parte do novo líder.Para
lá dos discursos do novo presidente – Montenegro poderá intervir a
qualquer momento do Congresso, até para anunciar as suas escolhas para
os órgãos nacionais, como se tornou tradição – são aguardados outros
como os do candidato derrotado nas últimas diretas Jorge Moreira da
Silva, que ainda não confirmou se irá apresentar uma lista ao Conselho
Nacional, depois de ter dito na noite das diretas não estar disponível
para assumir funções executivas.O
presidente da Câmara de Lisboa Carlos Moedas, que fez dos discursos
mais ovacionados do último Congresso, em dezembro, já confirmou em
entrevista ao Expresso que irá à reunião do Porto, e que falará aos
delegados, dizendo-se também indisponível para assumir funções
executivas.Miguel
Pinto Luz, que na última reunião magna fez um discurso contracorrente
alertando para o risco do PSD se tornar “assustadoramente pequeno” em
números e mentalidade, irá ao Porto, mas não apresentará desta vez lista
ao Conselho Nacional (a que encabeçou foi a segunda mais votada nessa
reunião).O
eurodeputado Paulo Rangel ainda não confirmou se irá ao Congresso, do
qual estará ausente Miguel Poiares Maduro, por razões de trabalho.O 40.º Congresso do PSD realiza-se entre sexta-feira e domingo no Pavilhão Rosa da Mota, no Porto.