PS/Terceira acusa Governo dos Açores de ter abandonado Terceira Tech Island

9 de nov. de 2021, 13:27 — Lusa/AO Online

“Em 12 meses de exercício de funções do Governo PSD/CDS/PPM, não há novas empresas no projeto Terceira Tech Island, há empresas que decidiram abandonar o projeto e as empresas que haviam manifestado interesse em se instalar perderam-se por inércia do Governo em apoiá-las”, afirmou o dirigente do PS/Terceira Luís Leal, à margem de uma visita a uma empresa tecnológica instalada na Praia da Vitória.Lançado em 2017, pelo executivo do PS, com o objetivo de mitigar o impacto da redução militar norte-americana na base das Lajes, que eliminou cerca de 400 postos de trabalho, o projeto Terceira Tech Island visava a criação de um polo de empresas tecnológicas na ilha.  O Governo Regional assegurava o pagamento de formação de curta duração em programação e o custo das rendas dos espaços onde se instalavam as empresas, estando prevista a recuperação do edifício onde funcionava a escola da Força Aérea norte-americana na Base das Lajes para esse efeito no futuro.Entre 2018 e 2020, instalaram-se na Praia da Vitória mais de 20 empresas da área digital, que criaram cerca de 170 empregos.Segundo Luís Leal, que era vogal do conselho de administração da Sociedade para o Desenvolvimento Empresarial dos Açores (SDEA), entidade entretanto extinta pelo atual executivo açoriano, que geria o Terceira Tech Island, já duas empresas abandonaram o projeto, desde que o executivo da coligação tomou posse, em novembro de 2020.“Uma delas esvaziou-se de recursos, a outra teve de ir para outra ilha [São Miguel], não se sabe bem porquê, mas foi aliciada. Empresas que estavam numa bolsa de eventual interesse para se instalarem, ainda no nosso tempo, não foram acompanhadas”, avançou.O dirigente socialista criticou, sobretudo, a falta de promoção do projeto na edição deste ano da Web Summit, em Lisboa, acusando o executivo açoriano de “ofuscar potenciais investidores na área tecnológica com produtos alimentares”.“Os Açores marcaram presença numa feira de cariz tecnológico, mas posicionaram-se estrategicamente para uma feira de gastronomia”, frisou.Segundo Luís Leal, o executivo socialista colocou os Açores “no radar tecnológico”, precisamente na Web Summit, onde lançou o projeto com um vídeo promocional, “amplamente criticado pelo PSD”, em 2017.“Não é de certeza com produtos agroalimentares que captamos empreendedores e investidores de base tecnológica. Esta grande confusão deixou uma mancha em tudo o que foi feito desde 2017 e deixa-nos, acima de tudo, tristes pela incapacidade que este Governo tem de poder continuar este projeto, de poder contribuir para gerar emprego estável e captar empresas”, sublinhou.O projeto mantém a formação em programação na Praia da Vitória, mas o dirigente socialista disse temer que, “por não haver empresas que absorvam os recursos”, o executivo açoriano “diga que já não se justifica”.“Se tivessem dado o mesmo nível de concorrência que nós colocámos desde o início, com um crescimento de 200% ao ano, em matéria de captação de investimento, nós hoje teríamos à volta de 600 postos de trabalho criados”, defendeu.O PS já tinha acusado, em abril, o Governo Regional de ter abandonado o Terceira Tech Island, mas o secretário regional da Juventude, Qualificação Profissional e Emprego, Duarte Freitas, garantiu que havia intenção de dar continuidade ao projeto, alegando que havia uma verba de 520 mil euros inscrita no Plano de Investimentos para 2021.“Aquilo que a região pretende é continuar a captar empresas para o Terceira Tech Island e naturalmente com a Câmara Municipal da Praia da Vitória vamos ter um diálogo, que esperamos que seja profícuo, para continuar este projeto”, adiantou, na altura.