PS questiona Governo sobre cabos submarinos entre os Açores e o continente
7 de mai. de 2026, 16:43
— Lusa/AO Online
Em comunicado, o
PS/Açores indica que os deputados entregaram na Assembleia da República
uma pergunta dirigida ao ministro da Presidência, António Leitão Amaro,
onde alertam para a “falta de discriminação clara dos investimentos
destinados às regiões autónomas no âmbito do PTRR- Portugal
Transformação, Recuperação e Resiliência”.Citado
em nota de imprensa do partido, Francisco César, que é também líder do
PS/Açores, refere que o documento apresentado pelo executivo liderado
pelo social-democrata Luís Montenegro “contém referências genéricas e
agregadas, sem identificar com rigor os projetos, os montantes
financeiros, os calendários de execução e as entidades responsáveis”.A
“ausência de detalhe”, considera o líder regional socialista,
“fragiliza a transparência do plano e limita o escrutínio sobre o
verdadeiro alcance territorial do PTRR, sobretudo no que diz respeito à
integração efetiva dos Açores enquanto região com especificidades
próprias”.Os deputados socialistas
solicitam assim ao Governo uma lista completa e discriminada dos
projetos submetidos pela região, bem como informação sobre o respetivo
financiamento, modelo de execução e entidades responsáveis.Francisco
César refere ainda que existe uma “discrepância entre o enquadramento
temporal constante do PTRR e decisões anteriormente assumidas sobre o
sistema Atlantic CAM, de ligação entre o continente, os Açores e a
Madeira, e o sistema Anel Açores, destinado à substituição dos cabos
submarinos interilhas”.Os deputados
recordam que o sistema atualmente em operação “encontra-se em fim de
vida útil, sendo especialmente preocupante qualquer indefinição ou
adiamento no processo de substituição”.“Em
que fase se encontram atualmente os projetos Atlantic CAM e Anel
Açores, que trabalhos concretos já foram realizados, que medidas estão
previstas para garantir a continuidade e segurança das comunicações no
arquipélago e como se compatibiliza o PTRR com compromissos
anteriormente aprovados em Conselho de Ministros e inscritos no
Orçamento do Estado para 2026”, questionam os socialistas. O
PTRR - anunciado pelo Governo em fevereiro, na sequência das
tempestades que fizeram 19 mortos e centenas de desalojados, sobretudo
nas regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo - vai ter um
envelope financeiro global de 22,6 mil milhões de euros e um horizonte
temporal até 2034.O montante resulta de
fundos públicos nacionais (37%), financiamento privado (34%) e fundos
europeus (19%), de acordo com um documento síntese distribuído na
apresentação, que decorreu em 28 de abril no Pavilhão de Portugal, em
Lisboa.O PTRR está dividido em três pilares (recuperar, proteger e responder), 15 domínios e 96 medidas.Para
responder a calamidades, o plano prevê 46 milhões de euros para o
reforço da comunicação das freguesias e ainda 50 milhões de euros para o
reforço das capacidades digitais e tecnológicas dos municípios.