PS questiona Governo sobre aeronaves MQ-9 Reaper dos EUA na Base das Lajes
Irão
Hoje 16:30
— Lusa/AO Online
Numa pergunta dirigida
a Paulo Rangel entregue no parlamento, deputados do PS referiram uma
notícia avançada pela SIC, de acordo com a qual o Ministério
dos Negócios Estrangeiros (MNE) terá autorizado a passagem e utilização
da Base das Lajes, na ilha Terceira, Açores, por aeronaves militares não
tripuladas MQ-9 Reaper, conhecidas como "drones assassinos".“Trata-se
da primeira vez que este tipo de sistema de armas é destacado para
território nacional, o que suscita um conjunto de questões no quadro de
um contexto internacional que é particularmente sensível, marcado por
uma guerra em curso no Médio Oriente que envolve os EUA, Israel e o
Irão”, afirmaram. Para o PS, o Governo
deve “prestar a informação necessária para garantir que a utilização das
infraestruturas militares portuguesas pelos EUA respeita o Direito
internacional”. Os socialistas lembraram
que, segundo Rangel, Portugal só daria “autorização condicional” ao uso
da base nos Açores pelos EUA para ações “de retaliação”, que obedecessem
aos princípios “da necessidade e da proporcionalidade” e apenas visando
alvos de natureza militar.O PS questionou
o ministro quais foram as “condições concretas estabelecidas” pelo
Governo e quais os fundamentos para autorizar a utilização da base e se
as condições definidas pelo Governo “serão cumpridas”.Os
socialistas também querem saber se o executivo tem garantias de que
estas aeronaves “não serão utilizadas, direta ou indiretamente, em
operações contrárias ao Direito internacional” e qual “é o grau de
conhecimento e de acompanhamento por parte das autoridades portuguesas
relativamente às missões específicas a que estas aeronaves estarão
associadas”? “Que consequências terá a não observância das condições impostas pelo Governo português?”, questionaram ainda. Numa
audição na comissão parlamentar de Assuntos Europeus, o chefe da
diplomacia portuguesa reiterou que a utilização da Base das Lajes pelos
Estados Unidos cumpre os critérios do Direito internacional e que
Portugal não está envolvido nesta operação contra o Irão. “O
que fizemos foi justamente impor os critérios do Direito
internacional”, afirmou Paulo Rangel, durante uma audição na comissão de
Assuntos Europeus, questionado pelo PS sobre o uso da Base das Lajes,
nos Açores, pelos EUA. Essa utilização,
referiu, só pode ser feita “em resposta a um ataque sofrido, [que seja
uma ação] necessária e proporcional e não vise alvos civis”.“Se essas garantias nos forem dadas e puderem ser observadas, estamos tranquilos. Até agora foi isso que aconteceu”, comentou.“Cumpridas
certas regras, certas operações são admitidas, não cumpridas, não são
admitidas. Não andamos a falar de segurança nacional na praça pública
nem ‘voyeurismo’ sobre bases”, insistiu.