PS quer ouvir ministro sobre lei do subsídio de mobilidade e acusa-o de “trumpismo”
Hoje 10:22
— Lusa/AO Online
“O
Governo da República não pode escolher de uma forma arbitrária as leis
que quer cumprir. As leis existem, são feitas pela Assembleia da
República, o Governo cumpre”, defendeu o vice da bancada socialista e
líder do PS/Açores, Francisco César, em declarações à agência Lusa.Em
causa está a lei que define o novo modelo do subsídio social de
mobilidade entre continente e regiões autónomas, que passa a designar-se
de mecanismo de continuidade territorial, deixando de estar dependente
da situação contributiva dos beneficiários e da apresentação de recibo,
caindo também o teto máximo do custo elegível da passagem.No
requerimento dirigido ao presidente da Comissão de Infraestruturas,
Mobilidade e Habitação, o PS cita declarações do ministro na
sexta-feira, na Madeira, que para os socialistas “suscitam dúvidas
sérias quanto à forma como o Governo está a encarar a execução da lei
aprovada pela Assembleia da República”.António
Leitão Amaro afirmou que a eliminação dos tetos constituiu uma
"tremenda irresponsabilidade" e acrescentou que o Governo estaria a
trabalhar para encontrar uma “solução possível” no quadro “da legislação
vigente”.O ministro referiu ainda que
“estão pendentes” iniciativas das Assembleias Legislativas no parlamento
sobre o tema e afirmou que o Governo, com base numa avaliação em curso,
“tomará as decisões possíveis” ou proporá “ao país algum caminho com
base nessa avaliação”.Na ótica do PS, estas declarações “exigem esclarecimento parlamentar urgente”.Francisco
César salientou que, no diploma, há matérias que carecem de
regulamentação mas outras não e essas “têm de ser postas em prática
através da plataforma que neste momento está em vigor no âmbito do
subsídio social de mobilidade”.“O fim dos
tetos já está em vigor. O que é necessário é que a plataforma eletrónica
onde as pessoas vão pedir o reembolso esteja atualizada. Isso não
carece de regulamentação”, argumentou.O
socialista insistiu que “um Governo não se pode dar ao luxo de decidir
que leis é que aprova ou que não aprova”, postura que classificou como
“trumpismo puro”.“Ouvir um membro do
Governo da República admitir que na prática não tem vontade política de
cumprir uma lei da Assembleia da República, que já está em vigor, é
escandaloso, é quase trumpista do ponto de vista da forma como o
ministro acha que deve estar em funções”, acusou.Alertando
que “as famílias estão a fazer de banco do Estado”, Francisco César
argumentou também que as iniciativas das Assembleias Legislativas
referidas pelo ministro "já foram chumbadas" e que mesmo assim o Governo
não poderia rejeitar aplicar a lei em vigor. O deputado afirmou que em
debate no parlamento estão duas propostas, do Chega e do JPP, que "não
versam diretamente sobre este assunto".O
socialista alertou ainda para um “risco grave para o Estado de um
contencioso judicial” uma vez que a lei entrou em vigor no passado dia
06 e qualquer pessoa que não receber o seu reembolso “tem o direito de
meter o Estado em tribunal para reaver este valor”.As
alterações ao Subsídio Social de Mobilidade foram aprovadas em votação
final global, em 10 de abril, com os votos a favor de PS, Chega, BE,
Livre, PAN e JPP, as abstenções de CDS-PP, IL e PCP e o voto contra do
PSD (com exceção dos seis deputados eleitos pelos Açores e pela Madeira,
que votaram a favor).Na promulgação da
lei, o Presidente da República, António José Seguro, alertou que “a
eliminação do limite máximo quanto ao custo elegível das passagens
aéreas poderá comportar diversos efeitos que merecerão uma cuidada
regulamentação e um acompanhamento exigente da execução do novo regime”.