PS quer investigação e PSD diz que poluição na Terceira não foi resolvida por falta de vontade
Hoje 18:16
— LUSA/AO Online
O tema foi discutido no plenário regional, na
Horta, por iniciativa do CDS-PP, que marcou um debate de urgência sobre a
situação ambiental dos solos e aquíferos da ilha Terceira, devido à
presença da Base das Lajes, no concelho da Praia da Vitória.Na
apresentação do assunto, o deputado do CDS-PP Pedro Pinto lembrou que
foram os norte-americanos que, em 2005, identificaram a contaminação e o
PS açoriano “negou os resultados do relatório do poluidor”.Este
ano, o trabalho para uma tese de doutoramento da Universidade de
Coimbra “detetou metais pesados em esqueletos de pessoas que tiveram
como última residência a Praia da Vitória” e o PS pediu ao Governo
“dados atualizados” e disse que é preciso “rigor técnico e científico”,
acrescentou.“Porque é que, durante 15
anos, o mesmo rigor que hoje exige do Governo da República não foi
exigido a si próprio, aos seus Governos nacionais e regional, ao seu
partido, e às câmaras que o seu partido geriu com maioria absoluta?”,
questionou.No debate, o deputado Paulo
Gomes (PSD) disse que a temática esteve sempre presente na ação política
do partido, quer na oposição, quer na governação, e foram apresentadas
medidas que não foram executadas nos Governos socialistas da República. “Tudo
o que o PS/Açores tem anunciado e proposto, podia ter sido feito em
2018. Aliás, entre 2018 e 2024 foram seis anos de governação socialista
na República. Tempo não faltou para executar o que foi aprovado na
Assembleia da República. Faltou sim, foi vontade de resolver o
problema”, disse.Para João Mendonça (PPM),
a contaminação “não nasceu ontem”: “O problema é antigo e tem sido
tratado, demasiadas vezes, como se fosse um incómodo diplomático e não
uma questão ambiental e humana. Aquilo que se impõe não é alarmismo. É
rigor. É ciência. É responsabilidade política.”Lembrou
que em 2004/2005 “os americanos detetaram” o problema, que foi
confirmado em 2009 e, em 2011, o PS “negou a contaminação”.O
líder parlamentar do PS, Berto Messias, defendeu que seja feita uma
investigação alargada aos eventuais impactos da contaminação associada à
Base das Lajes na saúde pública.“Precisamos
de avançar com uma ampla investigação que conjugue hidrogeologia,
toxicologia, avaliação da exposição humana, monitorização ambiental
prolongada e estudos de risco para trabalhadores e populações vizinhas”,
propôs.Berto Messias defendeu, ainda, uma
“frente unida” dos Açores nesta matéria, com o reforço da pressão,
junto do Governo da República, e da ação diplomática junto do Governo
norte-americano, lembrando que “a responsabilidade primeira da
descontaminação” é dos Estados Unidos da América.Já
o deputado do PS e antigo presidente do Governo Regional, Vasco
Cordeiro, lamentou que em vez de fazer do debate um “verdadeiro toque a
rebate” da assembleia e da região, o CDS-PP tenha “preferido a
mesquinhez de fazer deste um pretenso ajuste de contas com o passado”.Repudiou
as críticas de alguns partidos, esclarecendo que o PS e os seus
Governos sempre tiveram no assunto “uma posição de defender o interesse
da transparência, fosse contra que Governo fosse da República”: “Ou os
senhores já não se lembram […] daquilo que eu, como presidente do
Governo, disse a um ministro de um Governo do meu partido ‘o senhor
ministro já está cegando’, exatamente em resposta, em defesa, de um
deputado do PSD na Assembleia da República?”Pelo
BE, António Lima lembrou que “o novelo que se foi desenrolando nas
últimas semanas vai muito além do estudo” e a contaminação dos solos é
um assunto transversal, de elevada complexidade técnica e de enorme
exigência politica, que “exige responsabilidade”.O parlamentar referiu que o partido já apresentou uma proposta para que seja criada uma comissão técnica independente.Francisco
Lima (Chega), refutou a forma como o estudo foi apresentado e
divulgado, tratando a ilha Terceira “como se fosse um laboratório de
alarmismo permanente”.O Chega “não aceita
que a Ilha Terceira seja usada como palco de teorias alarmistas, nem
aceita que problemas ambientais reais sejam aproveitados para agendas
políticas de ocasião”, disse.Já Nuno
Barata (IL) declarou que a contaminação de solos e aquíferos “não é uma
suspeita, é uma certeza” e a recuperação ambiental da zona, pelos EUA,
“deve prosseguir até que os objetivos definidos pela ciência e pelas
autoridades regionais competentes estejam integralmente cumpridos”.“É
ao Estado português que compete, junto dos EUA, assegurar a
fiscalização, a transparência e a defesa dos interesses de todos os
açorianos. Por sua vez, é ao Governo Regional que compete acompanhar
este processo com exigência, com permanente atenção e mantendo as
populações convenientemente informadas”, afirmou.Pedro
Neves (PAN) referiu que o assunto “está longe de ficar encerrado” e é
preciso saber o que significa, na prática, uma "efetiva descontaminação"
dos solos.O partido entende que a discussão é “uma questão de saúde pública” e as populações “têm direito a conhecer a verdade”.