PS quer debate de urgência com ministro das Finanças sobre previsões económicas
16 de out. de 2024, 11:27
— Lusa/AO Online
Em
declarações aos jornalistas na Assembleia da República, o deputado do
PS Carlos Pereira referiu que os socialistas já tinham “desconfiado que
havia problemas nas previsões e nas contas públicas deste Governo”
quando foi conhecida a proposta do Orçamento do Estado para 2025
(OE2025), “comparando com aquilo que foi o programa eleitoral da AD” nas
eleições, sobretudo no que diz respeito ao cenário macroeconómico.“Primeiro
vimos o orçamento e ficámos com dúvidas sobre essa matéria, mas depois,
com a apresentação do plano de médio prazo para Bruxelas, ficamos com
certeza que o programa eleitoral da AD estava encharcado de propaganda.
Eu diria mesmo empolado de propaganda”, acusou.Segundo
Carlos Pereira, é preciso “uma clarificação” e que o ministro das
Finanças, Joaquim Miranda Sarmento - que “fez parte também da equipa de
economistas que construiu o cenário macroeconómico do Governo na altura
da campanha” – vá ao parlamento “justificar estas diferenças, estas
opções e estas previsões”.“Do nosso ponto
de vista, merecem explicações porque são de certa forma inconsistentes
e, por isso, vamos propor um debate de urgência na Assembleia da
República, na altura em que é possível fazê-lo, que é só na próxima
semana, dia 25”, anunciou.Este debate,
segundo o PS, deverá assim acontecer antes da votação do OE2025 na
generalidade, considerando que esta é “uma matéria absolutamente
urgente”.O deputado socialista apontou dois aspetos em que identifica estas diferenças, o primeiro dos quais o crescimento económico.“Vimos
que no cenário macroeconómico previa um aumento do PIB médio de quase 3
pontos percentuais, estamos a falar de 2,9%, e que agora, quando se
olha para o plano de médio prazo apresentado a Bruxelas, esse
crescimento económico não chega aos 2%, é 1,9%”, apontou.Esta
diferença, segundo Carlos Pereira, é significativa e demonstra aquilo
que os socialistas tinham dito em campanha eleitoral, ou seja, que “o
cenário macroeconómico da campanha eleitoral não era credível”.“O
PSD faz aquilo que fez sempre: diz em Bruxelas o que não diz em
Portugal”, acusou, referindo-se ao que aconteceu no período da ‘troika’
em relação às pensões.O outro aspeto é
sobre os salários, em que, segundo o PS, há “um problema semelhante”,
acusando o Governo de prever “uma trajetória de crescimento bastante
inferior do que aquela que acordou com a concertação social”.“Isto
é grave, porque isto de alguma maneira descredibiliza o Governo,
descredibiliza o país no quadro europeu e obviamente, deve deixar-nos
todos assustados de alguma maneira”, defendeu.