PS, PSD, BE e PCP chumbam suspensão e substituição de Ventura
Presidenciais
29 de dez. de 2020, 18:04
— Lusa/AO Online
Rejeitado o parecer, a
comissão parlamentar de Transparência e Estatuto dos Deputados vai
voltar a reunir-se em 05 de janeiro para analisar novo parecer desta
feita a ser elaborado por um deputado a designar pelo PS.André
Ventura solicitara a suspensão de mandato e substituição pelo seu
“número 2” no partido e na lista do círculo de Lisboa às
Legislativas2019, Diogo Pacheco Amorim, a fim de poder dedicar-se à
propaganda eleitoral em janeiro.Os
socialistas Jorge Lacão, presidente desta 14.ª comissão, Isabel Oneto e
José Mendes juntaram-se ao CDS-PP e ao PAN no voto favorável ao parecer
do democrata-cristão João Almeida.O
deputado do PS Pedro Delgado Alves defendeu que, “a partir de 2006, as
causas (para a suspensão de mandato de deputado) deixaram de ser abertas
e passaram a ser taxativas” e que há sempre a alternativa da
justificação de faltas por “trabalho político”.Já
o socialista Lacão discordou da argumentação e sustentação jurídica
sustentada pelo seu partido e argumentou que “há o acervo de normas
jurídicas de outros institutos, nomeadamente da Lei Eleitoral para a
Presidência da República” para que o parlamento evite ter “cadeiras
vazias”.“A pretensão tem toda a razão de
ser. É evidente que deveria ser concedida a possibilidade (de suspensão)
a todos os deputados na mesma situação. Mas, juridicamente, o motivo
relevante está definido taxativamente. O PSD apresentará hoje mesmo um
projeto de lei para alterar e adaptar a lei (Estatuto dos Deputados)”,
prometeu o social-democrata André Coelho Lima.O
líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares, lembrou que Ventura,
aquando das eleições para Assembleia Regional dos Açores, “faltou
diversas vezes sem problema, incluindo a sessões plenárias com
votações”.“Quer criar um facto político
numa campanha sem conteúdo. Teve nove meses, desde o anúncio da
candidatura até agora, para fazer proposta de alteração ao Estatuto dos
Deputados e não o fez. Esta suspensão pedida é um regime de favor”,
afirmou.O presidente da bancada comunista, João Oliveira, também discordou do parecer “em absoluto”.“O
deputado André Ventura quis tentar uma situação de favor e de exceção,
de benefício e privilégio, que criaria um precedente grave. E, por
exemplo, candidatos autárquicos, em outubro? Ou candidatos ao Parlamento
Europeu?”, questionou.O porta-voz do PAN,
André Silva, declarou que “deve optar-se por reconhecer e ampliar os
direitos” e que a comissão parlamentar devia “socorrer-se da Lei
Eleitoral para Presidência da República” e “discutir o Estatuto dos
Deputados”.O Estatuto dos Deputados só
prevê a suspensão do mandato por “motivo relevante”, ou seja, “doença
grave que envolva impedimento do exercício das funções por período não
inferior a 30 dias nem superior a 180”, “exercício da licença por
maternidade ou paternidade” ou a “necessidade de garantir seguimento de
processo” judicial ou similar.Para João
Almeida, Ventura protagoniza uma “situação nova”, pois é “deputado único
representante de um partido” e, por exemplo, ficaria prejudicado caso
houvesse coincidência de um debate parlamentar e de um debate publico
televisivo entre candidatos presidenciais.André
Ventura pediu a suspensão de mandato “a partir do 01 de janeiro de 2021
e até ao término das eleições à Presidência da República, 24 de
janeiro, considerando-se automaticamente prorrogada a suspensão caso se
verifique a existência de uma segunda volta eleitoral e o ora requerente
seja parte nessa disputa”.