PS propõe projeto político regional “forte e progressista” para os Açores
Hoje 15:38
— Lusa/AO Online
“Agora, mais importante que os últimos 50 anos, são os próximos 50. É por isso que todos nos devemos mobilizar na construção de um novo futuro para a nossa região”, afirmou Berto Messias, na Horta, na ilha do Faial, na sessão que assinala os 50 anos da sua reunião inaugural, com a presença de José Pedro Aguiar-Branco, presidente da Assembleia da República.O socialista propôs um projeto político “forte e progressista”, com uma nova autonomia assente em dois princípios base fundamentais: conhecimento e boa governança.Em primeiro lugar, defendeu uma autonomia do conhecimento, por reconhecer que “quem produz conhecimento decide o futuro, quem depende do conhecimento de outros depende, também, das decisões dos outros”.“É por isso que propomos a implementação de um projeto de interesse comum entre a região e o Estado, que garanta a mobilização de recursos financeiros, conhecimento e compromisso político entre diferentes níveis de governação e da própria sociedade civil, com uma estratégia de investimento no nosso capital humano, envolvendo Governos, municípios, escolas, universidades, empresas, entidades externas da diáspora, instituições e forças vivas da região”, disse.Já sobre a autonomia da boa governança, Berto Messias sugere “uma autonomia que faz bem, que governa bem, que sabe o que quer e o que fazer com os seus recursos e que garanta a sustentabilidade económica, financeira e social das políticas públicas que implementa”.“Uma autonomia da boa governança, firme, com instituições fortes, bem preparada, que se dê ao respeito e que não permita desrespeitos inaceitáveis como o que se arrasta há vários meses no processo sobre os reembolsos das passagens para o continente dos açorianos, onde as manigâncias do Governo da República são um exemplo de má governança que prejudica as pessoas e fere a credibilidade das instituições públicas”, acusou.Na sessão evocativa dos 50 anos de autonomia dos Açores, o líder parlamentar socialista fez uma primeira referência para o povo açoriano, “desde a mais ilustre e conhecida personalidade até ao mais anónimo cidadão que, todos os dias, no seu trabalho, na sua empresa, no apoio e proteção da sua família, na participação cívica na sua comunidade construíram a autonomia democrática dos últimos 50 anos”.Depois de assinalar que os méritos conseguidos “são do povo açoriano”, admitiu que aquilo que foi alcançado tem valor redobrado porque foi conseguido “enfrentando grandes dificuldades”.“Dificuldades decorrentes das nossas complexas especificidades territoriais, mas, também, dificuldades institucionais e políticas, fruto de muitas incompreensões, desconhecimento e até ignorância que muitas vezes dominaram e dominam os órgãos de soberania”, vincou.Após afirmar que “são consabidas as profundas divergências” que o partido tem sobre a atual governação da região (PSD/CDS-PP/PPM), o socialista disse que “isso não invalida a disponibilidade total do Partido Socialista para a construção de compromissos e entendimentos alargados em matérias cruciais para o futuro dos Açores”.Questões como educação, setor social e cooperativo, transportes aéreos e marítimos, sustentabilidade das finanças públicas, políticas públicas de apoio ao setor primário e à economia privada, Serviço Regional de Saúde ou demografia, “carecem de entendimentos alargados” para os quais os socialistas estão disponíveis.Na política, “quem acha que sabe tudo sozinho, está condenado ao fracasso, porque a humildade democrática não se proclama, exerce-se, sob pena de ser uma mera encenação”, alertou Berto Messias.