PS propõe novo rendimento de autonomia para vítimas de violência doméstica
25 de out. de 2024, 12:40
— Lusa/AO Online
O partido deu entrada no Parlamento de um novo pacote de medidas para reforçar a
proteção e autonomização das vítimas de violência doméstica, por
“acredita[r] que há margem para melhorar e que é urgente adotar
respostas mais eficazes e integradas para combater este flagelo social”.A
proposta inclui um conjunto de medidas para “assegurar condições reais
de autonomização para as vítimas e melhorar os mecanismos de prevenção e
de apoio”, desde logo com a criação de um novo rendimento de autonomia,
pensado para as vítimas que se veem obrigadas a deixar a sua
residência.“O apoio poderá chegar ao valor
correspondente ao Indexante dos Apoios Sociais (cerca de 509 euros),
sendo atribuído mensalmente e com uma duração máxima de seis meses”,
refere o PS, defendendo que “com esta medida pretende-se assegurar
condições efetivas de autonomização às vítimas de violência doméstica”.Este
novo rendimento de autonomia será para vítimas que “tenham rendimentos
até aproximadamente 1.200 euros por mês, não sendo considerados para o
efeito quaisquer rendimentos de outros elementos do agregado familiar”.O
partido propõe também o pagamento de um apoio financeiro que ajude as
vítimas a pagar a renda de casa sempre que sejam obrigadas a
relocalizar-se, “através do alargamento do programa Porta 65+” a este
tipo de casos, que teriam “avaliação prioritária das candidaturas”.“Além
do apoio mensal ao pagamento da renda, propõe-se a criação de um apoio
ao pagamento de caução para as vítimas de violência doméstica, com o do
valor correspondente a duas rendas máximas de referência”, refere
igualmente o partido.As medidas incluem o
alargamento da licença de reestruturação familiar, que é atualmente de
10 dias, e que o partido propõe que passe a ser de 20 o número de dias
que as vítimas podem ausentar-se do local de trabalho sem perda de
salário, mas também o alargamento do âmbito de aplicação do subsídio de
reestruturação familiar para casos em que as vítimas suspendam o
contrato de trabalho por não ser possível a transferência dentro da
empresa para outro ponto do país ou nos casos em que a transferência
seja adiada a pedido do empregador.Segundo
o partido, estas alterações “não trazem alterações ao Código do
Trabalho nem às regras de atribuição do subsídio de desemprego”.O
PS propõe que seja garantido o acesso a vagas em creche aos filhos das
vítimas de violência doméstica nos casos em que as pessoas são obrigadas
a abandonar a sua residência e que nos casos em que as vítimas tenham
idosos ou outras pessoas adultas vulneráveis a cargo tenham prioridade
no encaminhamento para os equipamentos e serviços específicos.O
pacote de medidas inclui também a majoração em 25% do abono de família,
a isenção de custas judiciais, a nomeação imediata de um patrono e,
“sempre que possível, por advogados com formação de apoio à vítima”, e a
análise de eventuais falhas no apoio à vítima e no acompanhamento da
situação denunciada em caso de homicídio.“A
medida visa reforçar a confiança das pessoas, designadamente dos
familiares das vítimas, no sistema de justiça e de segurança pública,
avaliando e melhorando os processos”, sublinha o PS, acrescentando que
“está em causa uma lógica de atuação imediata que pode ter
complementaridade com a equipa de análise retrospetiva de homicídio em
violência doméstica”.