PS pede esclarecimentos ao Governo dos Açores sobre alterações em delegações regionais da RTP
2 de set. de 2025, 17:08
— Lusa/AO Online
“Esta
medida choca de frente com o que se espera que seja a RTP Açores nas
suas delegações, uma instituição viva, dinâmica, com os meios
infraestruturais, físicos e humanos necessários para continuar a
desenvolver o seu trabalho na nossa região”, afirmou o deputado
socialista Berto Messias, citado em comunicado de imprensa.Em
causa está a intenção da RTP de abdicar de serviços prestados por uma
empresa de segurança, em permanência 24 horas por dia, nas delegações da
Terceira e do Faial, que incluíam, além da vigilância do edifício, “a
gestão da frota, o atendimento ao público, o atendimento telefónico, a
ativação e desativação de alarmes ou a iluminação de áreas comuns”,
segundo os trabalhadores.Para Berto
Messias, “esta decisão representará um retrocesso inaceitável e uma
tentativa de esvaziamento dos serviços da RTP nas duas delegações,
passando a existir uma espécie de controlo remoto à distância, a partir
de Lisboa”.“Aquilo que pode ser disfarçado
ou invocado como uma mera medida de gestão é um grande retrocesso na
perspetiva que a RTP S.A. tem ou deveria ter sobre a RTP/Açores, as suas
delegações e o que esta instituição representa para o nosso
arquipélago, implementando uma medida centralizadora que desvaloriza a
RTP Açores no seu todo, os seus profissionais e quem aqui reside”,
acusou.Os deputados socialistas querem
saber se o Governo Regional “tem conhecimento desta situação, se foi
informado previamente desta decisão” e que contactos foram trocados
entre o executivo e a administração da empresa.Berto
Messias lembrou que o Governo Regional “anualmente desenvolve vários
mecanismos de financiamento e de apoio à RTP”, alegando que “deve ser
respeitado e não pode permitir este tipo de medidas”.O
deputado socialista garantiu que o partido fará “as diligências
necessárias também a nível nacional para solicitar os esclarecimentos
necessários junto do Governo da República”.Na
sexta-feira, o dirigente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores das
Telecomunicações e Audiovisuais (SINTTAV) Luís Nunes disse ter
informação de que os serviços de vigilância e receção deixariam de ser
assegurados pela empresa de segurança no domingo.A
medida acabou por não se concretizar no dia previsto, mas os
trabalhadores da RTP dizem não saber por quanto tempo a empresa de
segurança continuará a assegurar estes serviços, nem quem os prestará
depois. Numa resposta por escrito à Lusa,
fonte oficial da RTP justificou a medida com o facto de estar
“legalmente obrigada a conter os seus custos em fornecimentos de
serviços externos”.“A dificuldade em
encontrar recursos para o desempenho das funções de vigilância e o
aumento dos custos nos últimos anos, nalguns casos superiores a 35%, tem
levado a uma aposta no desenvolvimento de soluções tecnológicas como
videovigilância, controlo de acessos remoto, centralização dos serviços,
etc.”, apontou.Segundo a empresa, estas
medidas “estão a ser implementadas em todas as delegações ou locais da
RTP com menos de 25 trabalhadores, onde o acesso de visitas e entidades
externas é residual”, estando já implementado em Faro “há dois anos”.Na
ilha Terceira, a delegação da RTP/Açores foi instalada num edifício
cedido pela Câmara Municipal da Praia da Vitória, em 2015.A
presidente do município já disse que iria enviar uma carta à
administração da RTP, a solicitar uma justificação para esta tomada de
posição.“Temos noção da resposta que esta
delegação do centro regional dos Açores na Terceira assume e, por isso,
não posso deixar de ficar muito preocupada com a possibilidade de fecho
desta porta”, adiantou, em declarações à Lusa a autarca Vânia Ferreira.