PS/Madeira defende igualdade no tratamento financeiro do Estado às regiões autónomas
2 de fev. de 2021, 12:21
— Lusa/AO Online
“No
âmbito do relacionamento financeiro, o Estado deve respeitar o
princípio da igualdade entre as duas regiões autónomas”, declarou o
líder parlamentar socialista, Miguel Iglésias, numa intervenção política
no plenário da Assembleia Legislativa da Madeira.O
deputado considerou que “a autonomia política não existe, nem se
executa, sem uma autonomia financeira e fiscal” e que a alteração da Lei
das Finanças Regionais permitirá à Madeira “ter disponíveis os
instrumentos financeiros necessários para enfrentar os próximos anos,
que serão necessariamente de recuperação social e económica”Para
Miguel Iglésias, o processo “será complexo com os Açores e a
República”, enfatizando ser necessário um consenso alargado entre os
partidos na Madeira para ser apresentada “uma proposta credível e
inatacável”.O responsável da bancada do
maior partido da oposição no parlamento madeirense (tem 19 dos 47
deputados) enunciou os sete pontos defendidos pelo partido no âmbito do
processo da revisão da Lei de Finanças Regionais, nomeadamente um
sistema fiscal próprio, introdução de exceções aos limites de
endividamento das regiões autónomas e mais igualdade na atribuição de
verbas às regiões.Na distribuição das
verbas do Fundo de Coesão, Miguel Iglésias destacou a necessidade de
alterar a fórmula de cálculo, que deve ter por base uma percentagem fixa
das transferências do Orçamento do Estado (50%), o que permitiria à
Madeira “receber mais 46 milhões de euros” do Orçamento do Estado para
2021.O objetivo é garantir “uma
distribuição equitativa, sem prejudicar os Açores”, realçou, salientando
que o princípio da solidariedade nacional com as regiões autónomas é
“inalienável”.O líder parlamentar do
PS/Madeira deixou ainda elogios à atitude do Governo Regional, de
maioria PSD/CDS-PP, que se prontificou a receber doentes com covid-19 do
continente num “momento crítico” da pandemia, em que têm sido atingidos
“níveis de contágios alarmantes” e “números incomportáveis para
qualquer sistema de saúde”.“A região tem
conseguido uma gestão mais favorável da pandemia” e, segundo as
autoridades de saúde regionais, “ainda longe do limite que a Madeira
pode comportar”, afirmou, insistindo que, quando mais foi necessário, "a
Madeira disse presente”.O deputado do PS
Rui Caetano alertou ainda para a necessidade de “medidas coerentes”
nesta altura da pandemia de covid-19 no setor da Educação, criticando o
que classificou de “ziguezague” das informações divulgadas pelo Governo
Regional.Rui Caetano considerou que o
executivo insular “lançou a confusão” na comunidade escolar ao assegurar
que “está tudo controlado” na região, para depois determinar aulas não
presenciais para os alunos do 3.º ciclo e do ensino secundário.O
deputado socialista fez ainda referência ao facto de os alunos terem
sido excluídos da realização de testes PCR e propôs a “definição de uma
estratégia de recuperação de aprendizagem” para os estudantes com mais
dificuldades.Na sessão plenária de hoje os
deputados madeirenses ainda debateram um voto de congratulação,
proposto pelo CDS-PP, pela reeleição de Marcelo Rebelo de Sousa como
Presidente da República.Na fase de
discussão de diplomas esteve em debate um projeto de resolução a bancada
do JPP que recomenda ao Governo da República a redução do IVA da
restauração para a taxa reduzida face aos problemas causados pela
pandemia da covid-19, que mereceu o apoio dos restantes partidos.As propostas legislativas serão votadas na quarta-feira.