PS fecha 2018 com resultados financeiros positivos e prevê “dívida zero” em 2025
5 de jun. de 2019, 17:22
— Lusa/AO Online
De acordo com o relatório e contas do PS relativo a 2018, documento ao
qual a agência Lusa teve acesso e que será objeto de apreciação e
votação na próxima reunião da Comissão Nacional deste partido, os
socialistas registaram resultados líquidos positivos em 2016 (255,4 mil
euros), em 2017 (999,96 mil euros) e em 2018 (264,4 mil euros)."A
situação financeira do PS pode ainda ser caracterizada como digna de
cuidados e de atenção, mas é agora muito melhor do que em 2015. Se tudo
correr como temos previsto, a situação financeira será completamente
equilibrada nos próximos anos", declarou à agência Lusa o secretário
nacional do PS para a Administração, Luís Patrão.Segundo
os dados deste partido, "o endividamento, que atingia os 12 milhões de
euros em 2015, baixou a fasquia dos 10 milhões de euros no final de 2018
- um ano em que o partido teve despesas [acrescidas] com a realização
de congressos federativos e de um congresso nacional"."O
PS conseguiu simultaneamente reduzir o seu passivo em 2,3 milhões de
euros, com o endividamento bancário a cair em quase 500 mil euros, o que
permitiu melhorar o rácio de capitais próprios", completou o antigo
secretário de Estado dos governos de António Guterres.No
que concerne especificamente a 2018, ano em que o PS apresenta um saldo
positivo inferior face aos 999 mil euros de 2017, a síntese do
relatório e contas do ano passado apresenta uma explicação."Em
2018 foi constituída uma provisão de 594 mil euros para pedido de
reembolso do IVA das eleições autárquicas, dando cumprimento ao
princípio da prudência e aos princípios contabilísticos geralmente
aceites que garantem a realidade e transparência dos resultados
apresentados. Caso esse valor não tivesse sido considerado, os gastos
totais apresentariam uma redução de 1,8% em relação a 2017 e de 6,8% em
relação a 2016", lê-se no documento. Nas
declarações que fez à agência Lusa, Luís Patrão procurou sobretudo
salientar que a consolidação financeira do PS está a fazer-se pelo lado
da despesa e não por qualquer crescimento ao nível das receitas."O
nosso nível de receitas (7,9 milhões de euros ano) é praticamente o
mesmo nos últimos anos, mas o que tem variado é a componente da despesa
nestes últimos três anos. Temos a despesa controlada e ajustada ao nosso
nível corrente de receita e, por outro lado, conseguimos que as
campanhas eleitorais que vamos desenvolvendo não se transformem numa
fonte de prejuízos", justificou o dirigente socialista.No
que respeita às mais recentes campanhas eleitorais, nas europeias deste
ano o PS terá reduzido despesas entre os 400 e os 500 mil euros face às
de 2014 (embora estes números ainda não se encontrem fechados); e nas
autárquicas de 2017 este partido terá gastado menos quatro milhões de
euros do nas anteriores de 2013.Sobre a
evolução das contas do PS, o secretário nacional para a Administração
referiu que há dois anos e meio este partido fez um acordo com a banca
no sentido de pagar progressivamente a sua dívida."Esse
compromisso com a banca é a nossa primeira prioridade em termos de
objetivos e tem sido honrado ao pormenor, o que está a permitir melhorar
os nossos rácios financeiros. Ora, a partir do momento em que os nossos
rácios financeiros se encontram mais equilibrados, a nossa capacidade
de endividamento também fica maior. A nossa credibilidade junto da banca
ganhou uma maior latitude", sustentou Luís Patrão, antes de advogar
que, no percurso financeiro da sua força política, desde 2016, "há duas
realidades que se completam"."Pedimos menos dinheiro e aquilo que pedimos é em melhores condições", acrescentou.Ainda
como explicação para a evolução positiva dos resultados financeiros
desta força política, o secretário nacional do PS para a Administração
invocou uma "reorganização interna" partidária ao nível da consolidação
de contas.Até 2015, por exemplo, cada uma
das federações socialistas tinha a sua conta - e esse conjunto de contas
eram depois consolidadas na conta nacional do PS."Hoje,
temos apenas uma única conta nacional (sede nacional e federações), a
que somam as do PS Madeira, PS Açores e Juventude Socialista. É um
universo mais fácil de compreender e controlar, assim como mais próximo
da realidade", advogou Luís Patrão.Para a
direção do PS, com o cumprimento do plano de pagamento à banca e aos
fornecedores, visa-se também transmitir uma mensagem para o exterior,
principalmente num momento em que os socialistas se encontram no
Governo."O secretário-geral do PS [António
Costa] definiu o equilíbrio das contas como uma das prioridades do
partido. Sentiu que é um fator de credibilidade externa. Tal como no
país, também aqui é preciso termos contas certas", afirmou.No
seu relatório e contas de 2018, o PS faz referência aos diferendos no
plano judicial que conserva no a Autoridade Tributária e Aduaneira (ATA)
a propósito do reembolso de IVA. "Deve
ser feito um sublinhado muito forte à não restituição do IVA suportado
na atividade partidária, como manda a lei, o que ainda não conheceu
decisões judiciais nas ações interpostas pelo PS contra a ATA para ver
satisfeitos os seus direitos, nem determinou qualquer alteração
substancial dos procedimentos da ATA face a este problema que se vem
arrastando", refere-se no relatório e contas que em breve será votado
pelos membros da Comissão Nacional do PS.Neste
mesmo documento, são ainda destacadas as consequências financeiras no
plano da atividade partidária resultantes do processo de renegociação de
dívidas levado a cabo pela direção de António Costa junto de bancos e
de fornecedores.Segundo a direção do PS,
registou-se agora que "o indicador de fundo de maneio se tornou positivo
em 94 mil euros, correspondendo a um rácio de liquidez geral de 1,01"."Tal
corresponde ao cumprimento da primeira regra de equilíbrio financeiro
em que o passivo de curto prazo deve ser compensado pelo ativo de curto
prazo, permitindo uma situação de tesouraria desafogada", acrescenta-se
no texto síntese do relatório e contas de 2018 do PS.