PS exige explicações ao Governo sobre impasse na liderança do IROA
21 de ago. de 2024, 14:40
— Lusa
“É
incompreensível que, passados mais de dois meses desde que o novo
presidente do IROA foi indigitado, a empresa continue sem uma liderança
efetiva, mantendo-se em autogestão há mais de oito meses”, refere
Patrícia Miranda, deputada socialista, num requerimento entregue na
Assembleia Legislativa dos Açores.Em causa
está a nomeação, por parte do executivo açoriano, de Pedro Hintze
Ribeiro (anterior diretor regional da Agricultura), para presidente do
IROA, que apesar de já ter sido ouvido pelos deputados em junho, no
âmbito das audições aos novos administradores de empresas públicas
regionais, não assumiu ainda as funções.Os
deputados do Partido Socialista manifestaram a sua preocupação com este
atraso, especialmente tendo em conta que “outros líderes recentemente
nomeados, na mesma altura, para empresas públicas regionais, como a SATA
e a Atlânticoline, já assumiram as suas funções”.“O
IROA desempenha um papel vital na nossa agropecuária, especialmente na
gestão de recursos como a água, os caminhos agrícolas e a energia
elétrica”, lembra Patrícia Miranda, acrescentando que “a falta de um
presidente em funções pode comprometer o apoio essencial que a
agricultura regional necessita para prosperar”.No
mesmo requerimento, os socialistas açorianos pedem que o Governo
Regional, liderado pelo social-democrata José Manuel Bolieiro, esclareça
os motivos deste atraso e reforce a importância de garantir uma gestão
eficaz no IROA, sobretudo, numa altura que se verifica a “escassez de
água para abastecimento à lavoura” em alguns concelhos dos Açores.“Não
podemos aceitar que a empresa continue a operar sem uma liderança
firme, especialmente numa altura em que o setor agrícola enfrenta
desafios significativos”, referem os deputados do PS.Pedro
Hintze Ribeiro devia ter substituído Hernâni Costa na presidência do
IROA, que se demitiu em janeiro, depois de ter sido constituído arguido
no âmbito da operação “Nortada”, na sequência de suspeitas de “violação
de regras de contratação pública, de urbanismo e de ordenamento do
território”, que envolveu autarcas e administradores públicos.A
operação, desencadeada pela Polícia Judiciária, arrancou em 2017 e
pretendia investigar eventuais favorecimentos de privados e consequente
prejuízo para o erário público, de alguns procedimentos, alegadamente,
menos transparentes.