PS entrega em janeiro nova proposta sobre modelo de debates com o primeiro-ministro
21 de dez. de 2022, 12:56
— Lusa/AO Online
No Fórum da
TSF, o coordenador do grupo de trabalho das alterações ao Regimento da
Assembleia da República, o socialista Pedro Delgado Alves, disse que o
PS estaria disponível para “encontrar um meio-termo”.Contactado
pela Lusa, o vice-presidente da bancada socialista concretizou que, em
janeiro, quando forem coligidas as propostas de alteração e sugestões de
todos os grupos parlamentares, o PS formulará essa nova proposta, que
não quis ainda detalhar.“Vamos tentar
encontrar uma forma que garanta o contraditório, mas evite o atual
pingue-pongue pouco construtivo, um afinamento”, referiu, dizendo que o
partido “está a estudar hipóteses”.Questionado
se tal poderá implicar definir um limite de vezes em que cada partido
poderá dividir o seu tempo de perguntas ao primeiro-ministro, Pedro
Delgado Alves admitiu que essa é uma possibilidade, para evitar algumas
situações recentes “de perguntas de dois segundos” de algumas bancadas.“Queremos garantir que esse problema não existe, mas não privar o debate de contraditório”, disse.Já
quanto à periodicidade dos debates, o PS não deverá mexer na sua
proposta, que passa por debates quinzenais com o Governo, alternando
entre o primeiro-ministro (que terá de comparecer mensalmente perante os
deputados) e um ministro.“Já estamos a
duplicar o quadro atual de debates. É importante ter presente que o
parlamento não pode ser apenas um local de debates com o Governo, é uma
função importante, mas não a única. Temos de ter debates europeus e
vamos também alargar a capacidade de agendamento de iniciativas
legislativas pela oposição”, disse.Por
outro lado, o deputado do PS salientou que o atual modelo de debates
bimestrais com o primeiro-ministro nasceu de uma proposta inicial do PSD
– com outro presidente, Rui Rio, e que foi aprovada com os votos do PS -
defendendo que os sociais-democratas não podem agora “rasgar as vestes
como se fosse um escândalo duplicar e não quadruplicar os debates”.“É preciso alguma continuidade na responsabilidade”, disse.Este
processo de revisão do Regimento tem como ponto central a revisão do
modelo de debates parlamentares com o primeiro-ministro, com propostas
de todas as bancadas, a maioria para repor as discussões quinzenais que
terminaram em 2020 por acordo entre PS e PSD.À
exceção de PS e PCP, todos os restantes partidos, incluindo o PSD (que
tem agora como presidente Luís Montenegro), apresentaram propostas de
reposição dos debates quinzenais com o primeiro-ministro.O
PS, que dispõe de maioria absoluta no parlamento e pode aprovar sozinho
quaisquer alterações, propõe a realização de debates mensais com o
primeiro-ministro (alternando, a cada quinze dias, com outro membro do
Governo).Os socialistas querem ainda mudar
o atual modelo de pergunta-resposta sem limite de réplicas,
estabelecendo na proposta inicial entregue na Assembleia da República – e
que agora deverá ser reformulada - que "no final do tempo de
intervenção de cada partido [usado de forma contínua] segue-se, de
imediato, a resposta do Governo".Na versão
do Regimento aprovada em 2020 e que está em vigor, os debates com o
Governo realizam-se mensalmente e o primeiro-ministro só tem obrigação
de comparecer perante os deputados uma vez a cada dois meses, mas com um
formato em que cada partido usa o seu tempo livremente, podendo
dividi-lo em várias perguntas a que António Costa responde de imediato,
permitindo uma ou várias réplicas ao partido interpelante.A
votação das alterações ao Regimento da Assembleia da República, que
incluem novas regras para os debates com o primeiro-ministro, deverá
decorrer no início de janeiro, depois de vários adiamentos desde o
verão.