PS e PSD deixam em aberto acabar com cooptação na ERC
Constituição
22 de mar. de 2023, 08:52
— Lusa/AO Online
Segundo a
proposta do PCP, apresentada pela deputada Alma Rivera na comissão
eventual de revisão constitucional, todos os membros da ERC passariam a
ser designados pela Assembleia da República (atualmente o parlamento
indica quatro e o quinto, o presidente, é escolhido pelos pares).“Julgo
que este artigo pode merecer uma análise subsequente, a cooptação não é
um modo de designação de titulares que me pareça particularmente feliz,
há uma certa opacidade que muitas vezes as cooptações trazem”, afirmou a
deputada do PS Alexandra Leitão.Num
aparte audível, o presidente da comissão, o social-democrata José
Silvano, aludiu, em tom bem-disposto, se seria uma referência à situação
vivida no Tribunal Constitucional, em que três juízes conselheiros já
terminaram o mandato por falta de consenso para a cooptação de novos
membros.“Alguma vez”, respondeu Alexandra Leitão, num tom igualmente descontraído.O
deputado Alexandre Poço adiantou que o PSD (essencial para, com o PS,
fazer os dois terços necessários para a aprovação de qualquer norma) não
tem ainda uma posição fechado nesta matéria, dizendo acompanhar algumas
das preocupações do PCP.“A cooptação pode
levar a situações de impasse, mais do que esta situação de impasse que
está na cabeça de todos a preocupação que como legisladores
constituintes devemos ter é qual a forma de eleição que conduz a melhor
ou pior experiência da regulação”, considerou.Pelos
restantes partidos, apenas o Livre se manifestou desde já contra,
considerando que não deve ser o parlamento “a controlar tudo, a designar
toda a gente”,Em matéria de comunicação
social, ficarão pelo caminho propostas do Chega para nomear nos meios de
comunicação social do setor público conselhos de informação com
representantes de todos os partidos – recusado por todos – e da
Iniciativa Liberal para retirar da Constituição a norma segundo a qual
“o Estado assegura a existência e o funcionamento de um serviço público
de rádio e televisão”.Segundo Cotrim
Figueiredo, essa norma passaria a estar apenas na lei e caberia a cada
Governo determinar da existência, ou não, desse serviço público.“Revemo-nos
na necessidade da existência de um serviço público de comunicação
social, não acompanharemos a sua eliminação”, justificou Alexandra
Leitão.Também o PSD irá rejeitar esta
proposta, mas considerou que a existência constitucional de um serviço
público de rádio e televisão não “exige necessariamente” que este seja
assegurado nos moldes atuais.“Há algumas
tarefas e incumbências do Estado que têm de existir no serviço público
nos moldes atuais ou, num futuro qualquer, em moldes que se possam
contratualizar ou concessionar”, disse Alexandre Poço, apontando como
exemplos a promoção da língua portuguesa ou a ligação à lusofonia.Pelo
caminho ficará uma proposta do PCP para consagrar o direito dos
jornalistas “não praticarem atos contrários à sua consciência”, com o PS
e PSD a considerarem que já está prevista no artigo mais geral relativo
à liberdade de consciência, de religião e de culto, com o
social-democrata Alexandre Poço a aproveitar para reiterar que o PSD
mantém a posição do ex-líder Pedro Passos Coelho (de que não é
necessário discriminar positivamente os profissionais de comunicação
social).Na área da justiça, o Chega
pretendia que ficasse consagrada a possibilidade de inversão do ónus da
prova em caso de crimes de titulares de cargos públicos, desde que não
colocasse em causa “o princípio da presunção de inocência”, o que foi
apontado pelos restantes partidos como uma contradição nos termos e “uma
linha vermelha” inultrapassável.