PS e Chega alertam para suspensão do subsídio de mobilidade nos Açores
Hoje 16:13
— Lusa/AO Online
“Como
se fôssemos adjacentes ao país ou uma colónia, o Governo de Portugal
‘manda’ os CTT deixarem de pagar o Subsídio Social de Mobilidade aos
açorianos residentes”, denunciou o líder do PS nos Açores, Francisco
César, numa publicação nas redes sociais.Os
balcões dos CTT nos Açores e na Madeira apresentaram a indicação
aos clientes de que o serviço de reembolso do SSM se encontra
temporariamente indisponível.Na
publicação, Francisco César defendeu que o Governo da República “já
habitou” os açorianos à “falta de consideração”, insistindo nas críticas
às alterações ao subsídio devido à obrigatoriedade de os beneficiários
terem a situação fiscal regularizada.“Mesmo
que seja por pouco tempo a suspensão dos reembolsos, calculo que até à
entrada em funcionamento da nova plataforma de reembolsos, isto não se
faz assim. Avisa-se a população, planeia-se com antecedência o processo e
criam-se alternativas. Nada disto foi feito, como de costume, e (…) o
povo açoriano se amanhe”, acrescentou o líder do PS/Açores.O
também deputado na Assembleia da República, eleito pelos Açores,
lembrou que o partido já requereu a audição do secretário de Estado das
Infraestruturas e sugeriu um modelo de subsídio idêntico ao das
Canárias, em Espanha.“A solução, de uma
vez por todas, a meu ver, é o modelo das Canárias, aceite pela Ryanair,
EasyJet e Binter. O passageiro paga 25% do custo da passagem, no ato da
compra, e o Estado acerta contas posteriormente com as companhias
aéreas”, defendeu Francisco César.Também o
Chega/Açores, nas redes sociais, acusou o primeiro-ministro Luís
Montenegro de “andar a gozar com os açorianos” e considerou tratar-se,
não de “incompetência”, mas de “desprezo político puro”.“O
ano começa da pior forma para os açorianos: com mais uma “prenda”
envenenada de Montenegro e do Governo da República. Depois de anos a
complicar o subsídio de mobilidade, um direito que existe para compensar
a insularidade, o Governo vai ainda mais longe e decide suspender o
apoio, deixando milhares de açorianos pendurados”, lê-se na publicação.O
Chega/Açores, liderado por José Pacheco, criticou a República por
“criar burocracia, impor obstáculos e tratar os açorianos como
portugueses de segunda”.“Quem vive numa
região ultraperiférica não precisa de sermões nem de entraves
administrativos: precisa de soluções simples, justas e eficazes. O que
recebemos é exatamente o contrário”, condenou.O
partido, que tem cinco deputados no parlamento açoriano, salientou que
Portugal “precisa de uma mudança definitiva” que “respeite quem vive nas
ilhas”.“Que não restem dúvidas: este
Governo não defende os Açores. Nunca defendeu. E não será agora que o
vai fazer”, acrescentou a estrutura regional do Chega.O
Governo da República quer alterar os critérios de elegibilidade do SSM
para que o apoio só seja pago a quem não tenha dívidas à Segurança
Social e Autoridade Tributária.A 17 de
dezembro, o Conselho de Ministros aprovou uma alteração ao decreto-lei
que define um novo modelo para a atribuição do SSM, de forma a assegurar
a “não interrupção do serviço de atribuição do subsídio após a entrada
em funcionamento da plataforma eletrónica”, segundo o comunicado do
Governo.A 25 de novembro, o ministro das
Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, anunciou que a plataforma
eletrónica para processar o reembolso do subsídio entrará em
funcionamento a 07 de janeiro de 2026, assegurando que a devolução
ocorrerá em apenas dois dias.