PS critica falta de visão nos apoios desportivos e governo açoriano admite “inflexão”

Hoje 16:22 — Lusa/AO Online

“Este recuo e esta alteração de estratégia do Governo [Regional], que nós saudamos tendo em conta que o governo 15 dias depois da decisão inicial acaba por fazer aquilo que o PS defendia, vem demonstrar um padrão de governação”, considerou o líder parlamentar do PS/Açores, Berto Messias.O socialista falava no plenário da Assembleia Regional, na Horta, num debate de urgência solicitado pelo partido sobre o fim do regime de financiamento de iniciativas com interesse para a promoção turística e dos apoios aos clubes desportivos conhecido por “Palavra Açores” (por estar associado à divulgação turística).No sábado, o Governo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM) revelou que vai manter na época 2026-27 os apoios da “Palavra Açores”, após críticas de partidos e clubes desportivos, incluindo do Santa Clara, que ameaçou sair da região.No debate, Berto Messias falou em “falta de coragem, cobardia política” e “incompetência” e confirmou que o PS vai manter a proposta para assegurar a manutenção dos apoios por ser “cada vez mais difícil acreditar no Governo” Regional.O socialista alertou, também, para os impactos da suspensão do financiamento aos eventos de dinamização turística, que pode comprometer a realização de vários festivais, torneios e provas desportivas.“É mais uma medida errada do Governo Regional. Que suspende apoios, corta apoios, que governa aos solavancos. Que não tem uma visão clara e definida para o futuro. Que tem aqui no parlamento a oportunidade de explicar as suas soluções e não o faz”, declarou.Já a secretária da Educação, Cultura e Desporto lembrou que em causa está a “concessão de um apoio exclusivo referente às equipas que se encontram na posição mais elevada nas competições nacionais” e afirmou que a necessidade de definir áreas prioritárias no investimento para 2026 precipitou a revisão dos apoios no desporto.Contudo, prosseguiu, o Governo Regional decidiu “rever a calendarização previamente apresentada” perante o “argumento dos clubes que precisariam de mais tempo para uma reformulação sistémica”.“Não temos problema em assumir que fizemos uma inflexão. A política honesta e de proximidade tem essa prerrogativa: a da convergência”, afirmou.A secretária regional rejeitou as críticas sobre falta de transparência ao insistir que era claro que existia um “corte de 50%” no Orçamento dos Açores para 2026 nos apoios desportivos.Pelo PSD, o deputado Paulo Gomes acusou o PS de “nunca se ter preocupado” com o desporto nos últimos cinco anos e elogiou a “humildade” do Governo Regional ao manter os apoios.Também o deputado do CDS-PP Luís Silveira saudou a “maturidade governativa” do executivo açoriano, tal como João Mendonça (PPM), que destacou o “dialogo democrático” com os clubes.O líder do Chega/Açores adiantou que, face à posição do executivo açoriano, o partido retirou uma proposta para a manutenção dos apoios, mas considerou “ridículo” que o “apoio ao desporto venha camuflado no apoio ao turismo”.Já o deputado da IL Pedro Ferreira acusou o executivo de “amadorismo” e defendeu que os açorianos não podem ser “alvo de chantagem” por parte de investidores no desporto, enquanto o parlamentar do BE António Lima disse esperar que “não tenha sido um recuo para o ano voltar a fazer o mesmo”.