PS critica demora de oito meses na limpeza de estrada onde houve derrocada na Terceira
6 de set. de 2024, 17:08
— Lusa/AO Online
“Levaram
cerca de oito meses para fazer uma intervenção de limpeza e remoção das
pedras no troço que liga o Cabo do Raminho à Mata da Serreta, quando
desde que houve a crise sísmica foi algo que a população exigiu e as
circunstâncias de há oito meses se mantêm exatamente iguais”, afirmou,
em declarações aos jornalistas, o deputado do PS eleito pela ilha
Terceira Luís Leal, numa conferência de imprensa.Desde
14 de janeiro que a estrada principal entre as freguesias da Serreta e
Raminho, no concelho de Angra do Heroísmo, está encerrada, devido a uma
derrocada provocada por um sismo de 4,5 na escala de Richter, inserido
na crise sismovulcânica em curso na ilha Terceira desde junho de 2022.O
Governo Regional lançou, a 26 de julho, o concurso para a conceção e
construção da reabilitação do talude, que apresenta “sinais de
instabilidade”, por um valor base de quatro milhões de euros.Entretanto,
o executivo adjudicou uma empreitada de desmatação e desmonte de rochas
em talude, por cerca de 363 mil euros, que se iniciou na quarta-feira,
por um período de 45 dias.“Sem prejuízo de
uma intervenção mais estrutural na estrada em causa, tornou-se
necessário avançar desde já com uma contratação de emergência devido ao
aumento significativo da atividade sísmica no perímetro do vulcão de
Santa Bárbara, acompanhado de sinais de deformação radial, o que
aconselha à abertura da via, para efeitos de criação de alternativas de
acesso”, justificou o Governo Regional, em comunicado.Para
os dirigentes socialistas, “as circunstâncias de há oito meses eram
exatamente as mesmas, se calhar até mais adequadas do que as atuais”
para fazer a limpeza e remoção das pedras.“Continua
a existir a crise sísmica, continua a existir perigo para as pessoas e
para as máquinas e na verdade o que houve foi uma grande falta de
atuação do Governo dos Açores, que só reagiu a uma alta pressão das
populações locais e dos partidos políticos”, alegou Luís Leal.O
deputado socialista acusou o executivo de “completa desconsideração” e
de tentar iludir a população, porque as obras arrancaram nas vésperas da
peregrinação ao Santuário de Nossa Senhora dos Milagres, na freguesia
da Serreta.“A faltar três dias para uma
festividade que é muito marcante para toda a população, que envolve
milhares de pessoas, é que há uma espécie de aproveitamento desta
matéria e começam a surgir obras e começam a fazer parecer que
trabalham”, criticou.Luís Leal rejeitou
ainda que o chumbo do Orçamento da região para 2024, motivo da
realização de eleições antecipadas, em fevereiro, seja uma justificação
para o atraso nas obras.“Havia falta de
aprovação do Orçamento, mas a verdade é que o Orçamento foi aprovado
[entretanto] e as verbas continuam por injetar em vários setores da
economia. É desculpa de mau pagador, na nossa modesta opinião”,
sublinhou.O parlamentar do PS apontou
falhas à via alternativa àquele troço, alegando que oito meses depois da
derrocada “continua por asfaltar, por ter luz e por melhorar”.“Muitas
pessoas têm de fazer cerca de uma hora e meia para se deslocar para o
trabalho e as crianças para a escola; os comerciantes locais ficaram com
enormes dificuldades em matéria de abastecimentos, os agricultores
continuam por ver reivindicações relativamente aos muros que caíram
durante a crise sísmica, houve promessas e até hoje nada”, salientou.