PS critica contradição do governo açoriano devido à entrada na Associação de Turismo
27 de set. de 2022, 18:20
— Lusa/AO Online
Em declarações aos jornalistas
em Ponta Delgada após uma reunião com a Associação de Guias de
Informação Turística dos Açores para assinalar o dia mundial do Turismo,
o deputado do PS no parlamento açoriano Carlos Silva criticou a entrada
do Governo Regional na Associação de Turismo dos Açores (ATA), que se
vai passar a designar VisitAzores.“É mais
um exemplo de absoluta contradição do governo, que num dia dizia querer
sair da economia e das empresas públicas e que agora entra novamente na
ATA”, afirmou, quando questionado pelos jornalistas sobre as alterações
ao modelo da associação.O deputado regional socialista
lembrou que o Governo Regional utilizou a “redução dos custos das
administrações” como uma das justificações para “extinguir algumas
empresas públicas”, enquanto agora vai passar a indicar três pessoas
para a administração da associação de promoção turística.“O
governo parece não saber o que é que quer para o turismo dos Açores.
Num dia diz uma coisa, no outro faz exatamente o contrário. Isso
preocupa-nos, como é óbvio”, declarou.Carlos
Silva criticou ainda a “falta de ordenamento turístico” nos Açores,
notando que durante a época alta houve “demasiada pressão em alguns
locais de interesse turístico” da região.O
socialista realçou a importância de existir um novo Programa de
Ordenamento Turístico da Região Autónoma dos Açores (POTRAA), defendendo
que a sustentabilidade do turismo na região “pode ficar comprometida”
devido à falta de ordenamento.“É
fundamental garantir a sustentabilidade do destino e a conciliação entre
a qualidade de vida dos residentes e a qualidade do serviço que
prestamos. Entendemos que isso pode ficar comprometido caso não exista
um plano de ordenamento turístico”, vincou.Em
maio, o Governo açoriano pediu ao parlamento regional o cancelamento da
apreciação do novo POTRAA nomeadamente para analisar o setor entre 2019
e o presente.A carta do gabinete da
presidência do Governo, disponível na página da Internet da Assembleia
Legislativa Regional e consultada pela Lusa, apresenta nove fundamentos
para o pedido de cancelamento, nomeadamente os efeitos da aprovação da
taxa turística regional e a necessidade de ponderar os efeitos, no
setor, de “todos os factos e impactos que possam ter existido desde
2019" até 2022.“O governo retirou à pressa
o documento. Podia ter alterado aquilo que apresentou na assembleia.
Simplesmente decidiu retirar e neste momento temos um vazio”, alertou o
socialista.A versão do POTRAA atualmente
em vigor data de 2008 e está parcialmente suspensa e sujeita a medidas
de caráter provisório desde 2010.