PS contra referendo e acusa PSD de estar condicionado pela extrema-direita
Eutanásia
5 de dez. de 2022, 17:20
— Lusa/AO Online
Esta
posição foi transmitida por Eurico Brilhante Dias em reação ao anúncio
de Luís Montenegro de que o grupo parlamentar social-democrata vai
entregar um projeto de resolução a pedir um referendo sobre a
despenalização da eutanásia.“Concorda que a
morte medicamente assistida não seja punível quando praticada ou
ajudada por profissionais de saúde, por decisão da própria pessoa maior,
cuja vontade seja atual e reiterada, séria, livre e esclarecida, em
situação de sofrimento de grande intensidade, com lesão definitiva de
gravidade extrema ou doença grave e incurável?”, é a pergunta para
referendo proposta pelo PSD.Para o
presidente do Grupo Parlamentar do PS, esta proposta do PSD “demonstra
que Luís Montenegro vive condicionado pela extrema-direita parlamentar”.“Por
isso, hoje, uma vez mais, resolveu alterar a posição do PPD/PSD, numa
atitude seguidista face ao partido de extrema-direita que tem assento
neste parlamento”, declarou.Perante os
jornalistas, Eurico Brilhante Dias referiu que, em 09 de julho deste
ano, no parlamento, foi votado o projeto de lei para a despenalização da
morte medicamente assistida e, em paralelo, foi votado um projeto de
resolução do Chega a pedir um referendo.“Esse
projeto de resolução [do Chega] foi chumbado com votos do PS, mas não
só. Aliás, foi chumbado também com votos de deputados do PPD/PSD”,
observou.Em relação à proposta do PSD de
referendo sobre eutanásia, pela parte do PS, espera-se que a esmagadora
maioria dos deputados socialistas vote contra, embora Eurico Brilhante
Dias refira que a sua bancada “tem por norma liberdade de voto”.“Esta
intervenção do presidente do PPD/PSD é uma autêntica desautorização do
seu Grupo Parlamentar. O Grupo Parlamentar do PSD tem sido colaborante,
atuante, trabalhando em comissão e no grupo de trabalho de forma muito
positiva. Este assunto já foi adiado por três vezes e em nenhuma dessas
vezes o Grupo Parlamentar do PSD suscitou sequer a questão do
referendo”, apontou.Para Eurico Brilhante
Dias, o país “está perante uma pirueta” da liderança do PSD para “andar
atrás da agenda da extrema-direita””.“Era
importante que o PPD/PSD se libertasse desse condicionamento, porque é
um partido histórico, fundado por Francisco Sá Carneiro e Magalhães
Mota. O PSD deve fazer oposição construtiva ao Governo, mas estar sempre
a perseguir a agenda da extrema-direita é nocivo e não ajuda a uma
clarificação parlamentar sobre quem são os democratas”, acrescentou.Nas
declarações que proferiu, o presidente do Grupo Parlamentar do PS
referiu-se também ao processo em curso sobre morte medicamente assistida
na Assembleia da República, dizendo que esse debate tem já cinco anos.“É
um processo maduro que atravessa três legislaturas e que já teve
intervenção de outros órgãos de soberania”, observou, aqui numa alusão
ao Tribunal Constitucional e ao Presidente da República.Nesta
sessão legislativa, de acordo com Eurico Brilhante Dias, o processo da
eutanásia já teve a sua votação em comissão adiada “por três vezes para
pequenos afinamentos de texto, sempre com grande colaboração do
PPD/PSD”.“Quando esta semana vamos levar a
votos um documento de consenso entre todos os proponentes, é
completamente a despropósito que hoje o presidente do PPD/PSD apresenta
uma proposta de referendo que não credibiliza a política e, em
particular, o maior partido da oposição”, insistiu.Na
perspetiva do presidente do Grupo Parlamentar do PS, a existência ou
não de um referendo nesta legislatura coloca-se em matéria de
regionalização.“Luís Montenegro sabe que,
se quiser um referendo, é possível fazê-lo em 2024. Esse é o referendo
da regionalização, aquele que em o PS e o PSD tínhamos um acordo
estabelecido ainda na liderança de Rui Rio. Os portugueses esperam que o
PPD/PSD não tenha uma opinião à segunda, quarta e sexta-feira e outra à
terça, quinta e sábado”, acrescentou.