PS contra “decisão errada” de descongelar propinas acusa Governo de retrocesso
2 de set. de 2025, 17:52
— Lusa/AO Online
“Aquilo
que nós não conseguimos compreender é que este Governo, que se mostrava
tão disponível, tão preparado para dar estas respostas a esta geração,
aos jovens e às suas famílias, que agora não o consiga fazer nem
executar. O que nos apresentaram é precisamente o retrocesso”, criticou,
em declarações à agência Lusa, a deputada do PS e secretária-geral da
JS, Sofia Pereira.Para a socialista, a
decisão hoje anunciada pelo ministro da Educação de descongelamento das
propinas “é errada”, trata-te de um “passo atrás e é um pontapé de saída
muito mau no que diz respeito a esta aposta nos jovens”.“O
que acontece aqui é que depois de dizerem, durante uma campanha
eleitoral inteira, de que os jovens eram uma prioridade, aquilo que têm
para lhes oferecer é continuar a garantir que o custo de vida é cada vez
mais incomportável”, condenou.Segundo
Sofia Pereira, o aumento de 13 euros “o que vêm dizer é indicar o
caminho que quer seguir” o Governo de “não democratizar o ensino
superior, mas cada vez torná-lo acessível apenas àqueles que possam
pagar”.“Nós também temos a preocupação do
financiamento do ensino superior, achamos que deve ser reforçado. O que
não pode acontecer é que esse custo seja transferido para as famílias e
para os jovens”, defendeu.O PS, segundo a
líder da JS, quer garantir que “todos os jovens tenham acesso ao ensino
superior de qualidade” e que se dê resposta às qualificações de uma
geração que é preciso reter em Portugal.“O que
o Governo vem fazer é quase garantir que cada vez mais o acesso é
limitado àqueles que o possam pagar”, criticou, considerando que “o
ensino superior deve ser para todos e não apenas para alguns”.Para
Sofia Pereira, depois deste ter sido “dos anos onde menos jovens
entraram no ensino superior”, a medida do descongelamento das propinas
irá fazer com que menos jovens frequentem este nível de ensino no
futuro.“Isto vai contra tudo aquilo que
seria expectável num período onde a aposta deve ser nos jovens, deve ser
na qualificação dos mesmos para podermos garantir que ficam cá a
contribuir no futuro, e o que fazem é precisamente o inverso”, apontou.O Governo vai descongelar, a partir do ano letivo 2026/2027, o valor
das propinas das licenciaturas, que não sofre alterações desde 2020 e
passará de 697 para 710 euros, anunciou o ministro da Educação."O
Governo incluirá ainda na proposta de Lei do Orçamento do Estado para
2026 a atualização das propinas de licenciatura com base na taxa de
inflação de 2025", anunciou Fernando Alexandre.O
ministro discursava no final de uma sessão de apresentação do relatório
final do estudo de avaliação do sistema de ação social no ensino
superior, que decorreu no Teatro Thalia, em Lisboa.