PS considera precipitado PM assumir que poderá avançar sozinho com privatização total
TAP
Hoje 15:51
— Lusa/AO Online
“Neste momento, o PS é a favor de uma privatização parcial, que foi conseguida. O sucesso que reconhecemos do montante arrecadado com esta privatização parcial mostra que o PS tinha razão e que a privatização parcial é possível, é atrativa e mantemos a nossa posição a favor de uma privatização parcial”, disse o dirigente do PS Filipe Santos Costa, numa conferência de imprensa na sede do partido, em Lisboa, sobre o anúncio feito pelo primeiro-ministro de que o Governo escolheu a Lufthansa para a privatização parcial da TAP.Questionado sobre o facto de Luís Montenegro ter admitido a privatização total da TAP até 2028, Filipe Santos Costa sublinhou que “o Governo tem que dialogar na Assembleia da República” porque “é um Governo de minoria”.“E, portanto, parece-me um pouco precipitado da parte do primeiro-ministro assumir que terá a capacidade política para avançar sozinho para uma privatização total da TAP”, avisou.De acordo com dirigente socialista, este foi o “culminar de um processo iniciado pelo PS”, considerando que o executivo “ao elogiar os termos em que conseguiu esta privatização parcial” está a “validar a posição do PS a e contrariar a posição anterior de muitas pessoas da AD e do Governo”.“Nós vimos com interesse esse anúncio do Governo de uma eventual venda subsequente ou permuta ou combinação das duas, mas neste momento a posição do Partido Socialista é por uma privatização parcial, que foi hoje conseguida”, respondeu.De acordo com Filipe Santos Costa, “neste momento o PS está confortável com esta privatização parcial”, defendendo que foi “um programa do PS que foi agora executado, que chegou a este termo”.O membro do Secretariado Nacional do PS começou a sua intervenção por recordar que o então Governo PSD/CDS-PP, em novembro de 2015, “à 25ª hora do dia em que foi derrubado” no Parlamento “aprovou a venda de 61% da TAP a um consórcio diverso por escassos 10 milhões de euros”.“Hoje, 11 anos depois, menos de 50% do capital da TAP é vendido por 1.201 milhões de euros à Lufthansa”, referiu, recordando que em 2020, então na oposição, Luís Montenegro chamou de "crime político e financeiro" o resgate que foi feito pelo Governo da empresa.O PS alertou o Governo e o novo acionista para cinco preocupações, desde logo que defende “a manutenção de uma posição estratégica do Estado na TAP” e que futuras evoluções “deverão obter o necessário consenso político e parlamentar”.Os socialistas avisam que "o crescimento da atividade e das contribuições fiscais da empresa deve permitir que o Estado recupere a prazo os 3,2 mil milhões de euros investidos” e que a TAP tem que continuar "a assegurar o serviço público entre Lisboa, Porto, Faro, Açores e Madeira e a ligação privilegiada às comunidades portuguesas”.“Que ao crescimento da atividade corresponda a proteção, expansão, qualificação e apreciação do emprego direto e indireto na TAP, das compras de bens e serviços às redes de fornecedores nacionais e o desenvolvimento de novas atividades industriais em Portugal”, pedem ainda.O Governo selecionou a Lufthansa para a privatização parcial da TAP, com uma proposta de 1.201 milhões de euros para até 49,9% do capital, prevendo concluir a operação até ao início de 2028.Na mesma conferência de imprensa, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, admitiu a privatização total da TAP até 2028, trocando uma parte do capital da companhia aérea por participação social na Lufthansa com o objetivo de recuperar o valor total investido pelos portugueses.