PS completa 50 anos de existência dos quais em metade esteve no Governo
19 de abr. de 2023, 10:18
— Lusa/AO Online
Em 19 de Abril de 1973, em Bad
Munstereifel, nos arredores de Bona, fundaram o PS Mário Soares (eleito
secretário-geral), Tito de Morais (eleito presidente), Arons de
Carvalho, António Arnaut, António Gomes Pereira, Bernardino Gomes,
Carlos Carvalho, Carlos Novo, Carlos Queixinhas e Desidério Lucas do Ó.Foram
ainda fundadores do PS, na Alemanha, Fernando Borges, Fernando
Loureiro, Fernando Valle, Francisco Ramos da Costa, Seruca Salgado, Gil
Martins, Gustavo Soromenho, Joaquim Catanho de Menezes, Jorge Campinos,
Roque Lino, José Neves, Liberto Cruz, Maia Cadete, Maria Barroso, Mário
Mesquita, Nuno Godinho de Matos e Rui Mateus.Desde
a sua fundação, o PS teve oito líderes: Mário Soares (1973-1986), Vítor
Constâncio (1986-1989), Jorge Sampaio (1989-1992), António Guterres
(1992-2002), Ferro Rodrigues (2002-2004), José Sócrates (2004-2011),
António José Seguro (2011-2014) e António Costa (de 2014 até ao
presente).Destes secretários-gerais do PS,
quatro foram primeiros-ministros: Mário Soares (1976-1978 e 1983-1985),
António Guterres (1995-2002), José Sócrates (2005-2011) e António Costa
(desde novembro de 2015 até hoje).Nestes
49 anos de democracia, o PS foi nove vezes a força mais votada, nas
eleições para a Assembleia Constituinte em 1975 e nas eleições
legislativas de 1976, 1983, 1995, 1999, 2005, 2009, 2019 e 2022. Por
duas vezes, alcançou maiorias absolutas no parlamento, em 2005, com José
Sócrates, e em 2022, com António Costa.O
PS governou em situação de maioria relativa na Assembleia da República
de 1976 a 1978, com Mário Soares, de 1995 a 2002, com António Guterres, e
de 2009 a 2011, com José Sócrates.Em 1978
formou um executivo conjunto com o CDS e governou com o PSD de 1983 a
1985 no chamado Governo do Bloco Central. Mais recentemente, constituiu
um executivo minoritário com uma solução inédita de suporte parlamentar
de PCP, Bloco de Esquerda e PEV entre novembro de 2015 e outubro de
2021, denominada Geringonça.Os socialistas
tiveram dois antigos líderes eleitos para o cargo de Presidente da
República, Mário Soares (1986-1996) e Jorge Sampaio (1996-2006).No
início de 1973, no período final do Estado Novo, o grupo maioritário da
Ação Socialista Portuguesa (ASP), liderado por Mário Soares e composto
por exilados políticos, entendeu ser chegado o momento de avançar para a
criação formal de um partido, sustentando fundamentalmente que o
Governo de Marcelo Caetano apresentava sinais de acelerada degradação e,
como tal, uma transição de regime estava iminente.No
Congresso de Bad Munstereifel, perante os delegados da ASP que haviam
chegado à Alemanha pelos mais variados trajetos, para despistar os
agentes da PIDE, Mário Soares alegou ter informações credíveis sobre um
crescente descontentamento nas Forças Armadas portuguesas face ao
prolongamento, sem fim à vista, da guerra colonial.As
posições contrárias à transformação da ASP em Partido Socialista foram
levadas até ao fim. Entre os 27 fundadores do PS, sete votaram contra a
criação do partido, defendendo essa posição Gustavo Soromenho, Mário
Mesquita, Nuno Godinho de Matos, Gil Martins, Joaquim Catanho de
Menezes, António Arnaut e a mulher de Mário Soares, Maria Barroso.A
ASP, que esteve na origem do PS, foi um movimento que procurou ser
herdeiro das correntes socialistas de Antero de Quental e de José
Fontana (no último quartel do século XIX) e que sucedeu à Resistência
Republicana Socialista (RRS), cujo principal promotor foi António
Sérgio.Entre outras ações, a RRS esteve
diretamente envolvida na campanha do general Humberto Delgado, no
“Programa para a Democratização da República” e na formação das “Juntas
Patrióticas de Libertação Nacional”.Após
uma reunião em Genebra, em 1964, a RRS passou a chamar-se Ação
Socialista Portuguesa (ASP) e defendeu a oposição ao regime de Salazar
pela via legal.Em 1972, a ASP tornou-se
membro da Internacional Socialista, apresentando Mário Soares como chefe
da Comissão Diretiva para as Relações Internacionais e Jaime Gama, com
apenas 25 anos, como secretário-geral.Jaime
Gama, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros de Mário Soares e de
António Guterres e presidente da Assembleia da Republica, esteve no
entanto impedido de se deslocar em abril de 1973 à Alemanha para a
fundação do PS, por estar a cumprir serviço militar.Impedimentos
pelos mais diversos motivos tiveram também outros destacados dirigentes
socialistas e então, como Salgado Zenha (não esteve na fundação do PS
por razões de segurança), António Macedo, Cal Brandão, Raul Rego,
Coimbra Martins e António Campos.