PS anuncia acordo com o Governo para viabilizar a Prestação Social Única
Hoje 17:36
— Lusa/AO Online
O
anúncio foi feito por Eurico Brilhante Dias, numa conferência de
imprensa no Parlamento, na qual frisou que “assim o país vai poder
executar um marco importante do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR)
e receber, nesse quadro, centenas de milhões de euros” (600 milhões).“Foi
possível ter um acordo final, que penso que é satisfatório para o
Partido Socialista, mas como todos os acordos, penso que será
seguramente também satisfatório para o Governo e para o Grupo
Parlamentar do PSD, que assim consegue viabilizar a iniciativa, o que é
bom para o país”, afirmou o líder da bancada socialista.O
deputado do PS afirmou que, na negociação com o executivo, os
socialistas conseguiram retirar da proposta a exigência de trabalho
social obrigatório, passando este aspeto a estar “enquadrado num plano
individual personalizado de inserção”.“Não
afastando a ideia de que as pessoas com menos recursos e mais pobres
têm direito a um percurso que as leve à integração e à inclusão social,
onde, evidentemente, como sempre, o emprego também tem uma palavra”,
detalhou.Brilhante Dias anunciou também
que foi conseguido nesta negociação o fim do canal de denúncias proposto
pelo Governo para reportar abusos ou fraudes na atribuição dos apoios,
um mecanismo que os socialistas consideram que iria “colocar pobres a
fiscalizar pobres”.O parlamentar
socialista enfatizou que o PS esteve, “desde a primeira hora”,
disponível para negociar com o Governo esta proposta e argumentou que
este tipo de temas, “pela sua sensibilidade, não devem ser negociados
com a extrema-direita e os seus preconceitos”.O
deputado referiu também que foi enviada uma carta ao primeiro-ministro,
Luís Montenegro, a 09 de junho, pelo PS, no qual era referida a vontade
do partido de chegar a um acordo para fazer cumprir o PRR.Questionado
sobre se esta foi uma cedência total do PSD e do Governo às exigências
dos socialistas, o líder parlamentar do PS respondeu que “seria uma
falta de cortesia”, além de “deselegante”, fazer esse tipo de
avaliações, sublinhando que foi conseguido um “acordo equilibrado”.De
acordo com um documento divulgado pelo PS, a negociação garantiu que “o
princípio da PSU não será globalmente mais desfavorável do que o regime
anterior” e uma “tendência de valorização progressiva” para aproximar
este apoio do valor que determina o limiar de pobreza em Portugal.O
mesmo documento refere que o acordo prevê que os despedimentos por
razões imputáveis ao trabalhador não ditam impedimentos de acesso à PSU,
bem como o envolvimento das autarquias e do setor social no
acompanhamento e fiscalização da prestação, e a avaliação deste novo
regime em 24 meses.Eurico Brilhante Dias
anunciou ainda que foi acordada uma “alteração substantiva da condição
de recursos” da proposta de forma a garantir o acesso à PSU “em
particular a pessoas mais vulneráveis” e sem “a restrição apresentada
pelo Governo”.O deputado socialista
explicou que foi conseguido pelo PS um aumento de 30 para 60 IAS
(indexante de apoios sociais) de limite máximo de valor do património
imóvel para aceder à PSU e que a prestação a pagar “não será globalmente
mais desfavorável do que o regime anterior”.Sobre
a proposta do PSD e CDS-PP, numa aproximação ao Chega, de subir para
dois anos o mínimo de residência legal para aceder à PSU, Brilhante Dias
afirmou que “essa alteração não está incluída” no acordo e que se
manterá o regime atualmente em vigor.A
discussão da PSU na especialidade estava agendada para esta manhã, na
Comissão de Trabalho, porém o grupo parlamentar do PSD pediu o seu
adiamento potestativo para o final do dia.