PS/Açores rejeita ter acordado afetação de verbas do PRR para a região
19 de mai. de 2022, 17:27
— Lusa/AO Online
“O
atual Governo Regional esteve nove meses a negociar o PRR com o Governo
da República e assinou o acordo com o Governo da República que
entendeu, sem qualquer limitação anterior, porque o anterior Governo não
acordou, não limitou, nem aceitou nada que condicionasse a afetação dos
5% do PRR destinados aos Açores”, disse o membro do secretariado
regional do PS, numa conferência de imprensa, em Angra do Heroísmo.Na
quarta-feira, o presidente do Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM), José
Manuel Bolieiro, que tomou posse em novembro de 2020, disse que a
decisão sobre o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para a região
foi “uma herança” de que discordou.“Quem
negociou foi o anterior Governo [Regional, do PS]. Não foi o meu
Governo. É uma herança recebida por parte deste Governo. Foi um
procedimento que me foi transmitido pelo ministro do Planeamento.
Discordei. O que foi transmitido é que estava assim”, afirmou.O
chefe do executivo açoriano referia-se à opção, escrita numa carta de
agosto do então ministro do Planeamento, Nelson Souza, de atribuir aos
Açores 5% do PRR para Portugal, sendo 4% (580 milhões de euros) geridos
pela região e o restante 1% (117 milhões) disponibilizado através do
acesso a candidaturas nacionais.Sérgio
Ávila, que tinha a tutela das Finanças no anterior executivo, acusou o
Governo Regional de se tentar “desculpar, colocando as responsabilidades
em outros”, quando teve “liberdade total para estabelecer o acordo de
distribuição de verbas que entendesse”.“Há
uma anteproposta de PRR em outubro, que foi dada a conhecer à comissão
[de inquérito], que tinha essa referência, mas o Governo Regional teve
nove meses para fazer o acordo que entendesse. Não houve nenhum acordo e
entendimento anterior sobre essa matéria”, frisou.O
dirigente socialista considerou que “o facto de o modelo ter sido
idêntico para as duas regiões autónomas" demonstra que o anterior
Governo dos Açores não teve "qualquer responsabilidade neste dossiê”.Questionado
sobre se o executivo açoriano teria hipótese de rejeitar a forma de
atribuição das verbas definida pelo Governo da República, Sérgio Ávila
disse apenas que houve um “processo negocial, que se iniciou com o novo
governo”.O ex-governante acusou ainda o
presidente do executivo açoriano de ter faltado à verdade quando disse
que o processo das Agendas Mobilizadoras iria começar do zero.“Ficou
comprovado que o PS tinha razão quando afirmou no próprio dia que, ao
contrário do afirmado pelo presidente do Governo, os Açores e as
empresas açorianas perderam o acesso às agendas mobilizadoras e aos
apoios à inovação empresarial”, apontou.Sérgio
Ávila adiantou que “os 117 milhões de euros disponíveis para as
empresas açorianas só podem ser utilizados no acesso a apoios para
descarbonização da indústria e transição digital”, quando a inovação
empresarial era “tão necessária na região”.Sobre
o facto de ter referido a possibilidade de reabrir o processo das
Agendas Mobilizadoras, quando decidiu suspender o processo de
candidaturas de empresas açorianas devido a suspeições que surgiram no
parlamento regional, José Manuel Bolieiro admitiu poder ter-se
“expressado mal”.“Posso ter-me expressado
mal quando digo recomeçar. Mas, era recomeçar, não com base naquele
processo, mas com uma candidatura a estes fundos geridos pela
República”, justificou.Questionado sobre
se, na ocasião, sabia que não voltaria a haver acesso às designadas
Agendas Mobilizadoras, o presidente do executivo açoriano reconheceu que
“na altura estava tudo ainda muito por consolidar”.“A
expressão mais própria que pretendia dizer é que, perante uma
suspeição, se pretendia terminar aquela suspeição e começar de novo,
para ter mais divulgação, mais transparência. Isso eu mantenho”,
assegurou.A verba de 117 milhões de euros
começou por ser referida pela região como estando disponível para
empresas açorianas no âmbito de candidaturas às designadas Agendas
Mobilizadoras, um concurso aberto pela República para fundos do PRR.Em
20 de outubro, depois de críticas ao processo, o presidente do Governo
Regional anunciou que as candidaturas de empresas açorianas a 117
milhões de euros do PRR iriam começar do zero.