PS/Açores quer Assembleia Regional a integrar processo de fiscalização da Lei do Mar
26 de jan. de 2021, 11:35
— Lusa/AO Online
O apelo surge em duas
cartas, a que a agência Lusa teve hoje acesso, enviadas pelo presidente
do PS/Açores, Vasco Cordeiro, ao líder do executivo regional, José
Manuel Bolieiro, e ao presidente da Assembleia Legislativa Regional,
Luís Garcia.Na missiva, o socialista
destaca que segundo a lei que rege o Tribunal Constitucional, a
Assembleia da República terá de ser ouvida “enquanto órgão do qual
emanou a norma” que está a ser alvo de uma fiscalização sucessiva
abstrata da constitucionalidade.Para Vasco
Cordeiro, os órgãos de governo da região “não podem ficar sentados a
assistir ao desenrolar do assunto”, nem podem deixar a matéria “em mãos
alheias”.“A oportunidade que a Assembleia
Legislativa e o Governo dos Açores têm de carrear argumentos e dados
para a defesa dos Açores e dos açorianos junto do Tribunal
Constitucional é através de uma participação ativa na argumentação que a
Assembleia da República deverá enviar sobre este assunto”, lê-se na
missiva.O antigo presidente do Governo
Regional pede que sejam feitas “muito urgentemente” as “diligências
necessárias” para que a Assembleia Regional possa “contribuir, colaborar
e participar ativamente” na elaboração da resposta que o parlamento
nacional enviará ao Tribunal Constitucional.Segundo
Vasco Cordeiro, a nova Lei do Mar, que atribui “poderes acrescidos” às
regiões autónomas na gestão do espaço marítimo, foi “desde muito cedo”
considerada “inadmissível” para “aqueles para os quais o Estado começa e
acaba no Terreiro do Paço”.“Da parte do
PS/Açores, estamos convictos de que nesta luta, como poucas vezes
noutras, está em causa de forma determinante não só o futuro desse
recurso que é o mar, mas também um correto entendimento da autonomia
regional”, lê-se em ambas as cartas.Deputados
do PS, PSD e PCP, num total de 38, juntaram-se para requerer ao
Tribunal Constitucional a fiscalização sucessiva abstrata da
constitucionalidade da nova Lei do Mar, considerando estar em causa a
integridade da soberania do Estado.Este
conjunto de deputados, encabeçado pela deputada socialista e ex-ministra
do Mar, Ana Paula Vitorino, entende ainda que a nova lei compromete "a
unidade e coerência da administração num quadro de adequado
relacionamento no exercício de funções conjuntas ou partilhadas entre o
Estado e as regiões autónomas".