PS/Açores propõe que região crie estatuto para dirigentes associativos voluntários
Hoje 14:56
— Lusa
“O que o Partido Socialista
pretende com este diploma é valorizar os dirigentes. Não é reconhecer
apenas o seu trabalho, mas dar condições para que possam fazer o seu
trabalho no terreno, nas associações, e trazer mais pessoas para o
associativismo”, afirmou o deputado socialista Russell Sousa, numa
conferência de imprensa, em Angra do Heroísmo.O
parlamentar alertou que o associativismo na região tem tido “problemas
de adesão”, com “direções que se perpetuam, porque não se conseguem
renovar”.“Há associações que foram
morrendo ao longo dos últimos anos, porque as pessoas também chegam a um
limite. Dão de si, prejudicam muitas vezes a sua vida familiar, a sua
vida laboral, e não há nenhuma recompensa, a não ser o evento que está
feito, mas todo o sacrifício não é reconhecido”, apontou.O
grupo parlamentar socialista propõe a criação do Estatuto do Dirigente
Associativo Voluntário da Região Autónoma dos Açores, que considera um
“primeiro passo” para que os dirigentes não tenham de escolher entre a
associação e a sua família ou o seu emprego.“Com
este diploma, criamos condições para que apareçam novos
dirigentes, novas pessoas ligadas ao associativismo e, acima de tudo,
que este diploma dê resposta a uma ânsia dos nossos dirigentes
associativos, que é terem um estatuto que os proteja e que dê condições
para que possam trabalhar em prol da nossa sociedade”, vincou Russell
Sousa.O estatuto aplica-se a quem exerça
funções de direção executiva em órgãos sociais de associações culturais,
desportivas, ambientais, sociais ou recreativas, sem remuneração, até
um máximo de três dirigentes associativos e um dirigente equiparado por
entidade.“Tendo em conta a realidade que
fomos ouvindo ao longo dos últimos meses, estamos a falar de entre 900 e
1.500 dirigentes das direções. O nosso mundo associativo é muito maior
do que isto. Claro que gostaríamos que abrangesse todos os membros da
direção e da assembleia-geral, [mas] não é possível, temos perfeita
noção disso. Por isso, limitamos a três membros de cada direção, para
que possam usufruir e fazer o melhor possível pelas associações”,
avançou o deputado socialista.O projeto de
decreto legislativo regional apresentado pelo PS prevê a atribuição de
garantias laborais aos dirigentes associativos, assegurando que não
possam ser prejudicados ou discriminados no seu trabalho e que possam
ajustar os seus horários.É criado um
regime de crédito de horas mensal, de seis horas para associações que
tenham até 50 associados, de 10 horas até 100 associados e de 12 horas
com mais de 100 associados.Segundo o
diploma, na administração pública regional, as faltas, ao abrigo do
crédito de horas, não implicam perda de remuneração.O
Governo Regional deve ainda criar um programa de apoio para os
privados, que comparticipe 75% dos encargos com as faltas dadas e
atribua uma majoração até 20% na pontuação de candidaturas a programas
regionais de apoio à empregabilidade.Os
dirigentes associativos têm acesso a apoio jurídico gratuito, em
processos judiciais e administrativos diretamente relacionados com o
exercício das suas funções, e a formação gratuita e certificada,
adaptada aos diferentes setores.A
iniciativa legislativa do PS prevê que o executivo açoriano crie uma
plataforma digital, que permita registar dirigentes, acompanhar a
aplicação das medidas e disponibilizar informação, e que apresente
anualmente um relatório.Se for aprovado, o estatuto só entra em vigor no próximo Orçamento da Região.