PS/Açores pede explicações ao Governo sobre ausência de rebocador na Horta
30 de out. de 2025, 18:18
— Lusa/AO Online
A Portos dos
Açores esclareceu que o cruzeiro que cancelou na terça-feira a
escala na Horta apenas solicitou rebocador para a operação no dia
anterior, e este, encontrando-se em Ponta Delgada, não seguiu viagem
devido ao mau tempo.Em comunicado, o grupo
parlamentar do PS/Açores adiantou que vai solicitar ao Governo Regional
explicações sobre "os motivos que levaram à ausência do rebocador no
porto no momento da operação".Os deputados
socialistas açorianos querem ainda saber que medidas estão previstas
para garantir que "situações semelhantes não se repetem" e informações
sobre a existência de um plano de contingência que assegure a presença
de rebocadores quando necessário.Citada na
mesma nota, a deputada do grupo parlamentar do PS/Açores Inês Sá
considerou "inaceitável que o navio de cruzeiros Artania não tenha
podido atracar no Porto da Horta", devido "à ausência de um rebocador
operacional".Além do "impacto económico
imediato" para a ilha, Inês Sá frisou que esta ocorrência afeta "a
reputação externa do Faial, da Horta e dos Açores na rota internacional
de cruzeiros". “Falhou o Governo Regional,
ao não garantir os meios portuários necessários, prejudicando empresas
locais, operadores turísticos e toda a economia da ilha”, apontou a
parlamentar açoriana, considerando que a deslocação do rebocador do
porto da Horta para Ponta Delgada "no próprio dia da chegada do Artania"
evidencia "falta de planeamento e vigilância sobre um equipamento
essencial ao bom funcionamento da infraestrutura portuária".Na
nota, a deputada referiu que a intervenção do presidente do Câmara
Municipal da Horta, ao requerer esclarecimentos à Portos dos Açores,
S.A., revela "uma inversão de responsabilidades", alegando que compete
ao Governo açoriano "assegurar a dotação e o
funcionamento dos meios portuários, e não apenas à Portos dos Açores".Para
a parlamentar, a prioridade deve ser assegurar que o porto da Horta
dispõe permanentemente dos meios essenciais a uma operação portuária
eficiente, de forma a proteger o interesse económico da ilha e da
Região.A escala do navio de cruzeiros
Artania estava programada para o porto da Horta, na ilha do Faial, para o
dia 28 de outubro, mas “inicialmente não havia sido solicitada pelo
agente de navegação daquele navio a utilização de rebocador para esta
operação […], o que veio a ser requerido somente pelas 11:00 do dia 27
de outubro”, explicou hoje o conselho de administração da empresa Portos
dos Açores, em comunicado.“Naquele mesmo
dia, o rebocador Ilha de São Luís, que havia estado em serviço no porto
de Ponta Delgada, tinha programada viagem para a Horta, viagem que
acabou por ser cancelada por razões meteorológicas, nomeadamente em
função de ondulação em rota na ordem dos 4-5 metros, superior à
recomendada para a navegação ao largo por parte daquela embarcação
portuária”, acrescentou.Perante este
facto, a empresa pública que gere os portos dos Açores revelou que o
agente de navegação do Artania foi informado, “dentro do horário
regulamentar, ou seja, até às 16h00 daquele mesmo dia, 27 de outubro,
que o navio em questão não poderia contar com os serviços de reboque
apenas solicitados naquela data”, mas o comandante do navio “decidiu
tentar a escala” na ilha do Faial no dia seguinte.“Na
manhã de 28 de outubro, o Artania confrontou-se, no exterior da baía da
Horta, com ventos na ordem dos 25-30 nós, situação que inviabilizou a
escala no porto faialense, por razões de segurança da manobra do navio,
dos seus passageiros e tripulantes e para integridade, ainda, da
infraestrutura portuária”, lê-se.O
presidente da Câmara Municipal da Horta, na ilha do Faial, pediu na
quarta-feira esclarecimentos ao conselho de administração da Portos dos
Açores, sobre o cancelamento da escala do navio de cruzeiro Artania no
porto local.