PS/Açores pede ao executivo que defina agenda sobre pagamentos em atraso
10 de set. de 2025, 16:28
— Lusa/AO Online
“Fica
aqui um apelo. Que o Governo Regional meta a mão na consciência, que
consiga definir uma agenda de previsibilidade, garantir que as
instituições dos Açores, os empresários, os cidadãos, os beneficiários
de apoios públicos […] tenham a capacidade de ter previsibilidade de
quando vão receber esses apoios”, disse o parlamentar socialista.Berto
Messias falava no parlamento açoriano, na cidade da Horta, durante
um debate de urgência pedido pelo PS sobre incumprimentos do Governo
Regional.Para o socialista, “é fundamental
que se crie um mecanismo em que qualquer apoio concedido pela região,
depois de estar o contrato desse apoio assinado, e depois de estarem
reunidos todos os pressupostos administrativos e legais, qualquer
pessoa, qualquer instituição, qualquer empresa" tenha "uma estimativa
clara de quando vai receber esses apoios”.No
arranque do debate de urgência, Berto Messias justificou-o por
considerar que existem vários incumprimentos do executivo regional em
vários setores.“Fazemo-lo porque, todos os
dias, temos notícias, relatos e protestos de líderes, de agentes
económicos, sociais, culturais e desportivos, sobre os incumprimentos
reiterados do Governo Regional relativamente a eles e os compromissos
que foram assumidos pelo Governo relativamente à vida dessas
instituições”, justificou.O deputado do PS
deu depois vários exemplos, salientando que a dívida da região a
fornecedores “aumentou 300 milhões de euros em cinco anos” e os apoios
às empresas “continuam atrasados”.“Temos
falta de pagamentos de acordos de cooperação das Instituições
Particulares de Solidariedade Social relativas a 2025. […] No desporto, é
um verdadeiro inferno a vida dos órgãos sociais dessas instituições.
[…] Na cultura, a mesma situação”, afirmou.Referiu ainda que na agricultura, os atrasos nos pagamentos “são gritantes” e nas pescas verifica-se “o caos”.No
debate, onde foram feitas várias citações da Bíblia, o deputado
Francisco Lima (Chega) afirmou que o Governo Regional, “ontem do PS,
hoje desta coligação, transformou-se num caloteiro institucional” porque
“não paga a tempo e a horas a ninguém”.Já
António Lima, do BE, referiu que o executivo e a maioria que o apoia,
prometeu “um tempo novo, que seria possível aumentar apoios a diversos
setores, aumentar investimento público, resolver problemas relativos a
carreiras na administração pública, salvar a SATA, ao mesmo tempo que
baixava impostos a quem mais tem, ao mesmo tempo, imagine-se, do
equilíbrio das contas públicas”, concluindo que “anúncios é com o
Governo Regional, pagar é que é pior”.Pelo
PSD, João Bruto da Costa referiu que o PS esquece-se que o atual
executivo “paga a fornecedores com menos 39 dias” do que o Governo do PS
pagava em 2020, apontando que, naquele tempo, “quem reclamasse ia para o
fim da fila, quem reclamasse não recebia”. Admitiu
que é normal “haver alguns atrasos”, mas “são muito mais os pagamentos
que têm sido feitos” do que aqueles que foram referidos como estando em
falta.Por sua vez, o parlamentar da IL
Nuno Barata lamentou que o executivo continue a “apontar o dedo ao
passado”, quando o atual Governo Regional está a usufruir de medidas
então tomadas, “nomeadamente na promoção e na notoriedade do destino
Açores”.No debate também participou o
deputado socialista Vasco Cordeiro, antigo presidente do Governo
Regional, que referiu que o executivo fala em “economia pujante” quando,
nessa situação, “as finanças públicas deveriam estar melhor”.“Cinco
anos depois, os senhores continuam a governar esta região mais em
função do ódio que têm ao PS, do que em função do amor que deveriam ter
aos Açores”, apontou.Já João Mendonça
(PPM) centrou a intervenção na agricultura, afirmando que os diversos
fundos comunitários “estão pagos e em dia”, tendo sido o executivo de
coligação que “eliminou os famosos rateios, que durante anos penalizaram
quem trabalhava e investia”.