PS/Açores espera que fator de sustentabilidade deixe de ser aplicado em 2023
21 de jul. de 2022, 18:01
— Lusa/AO online
“Continuamos
empenhados, como na primeira hora, bem como todos os elementos do
PS/Açores, incluindo naturalmente os nossos deputados à Assembleia da
República, que já há alguns meses estão a trabalhar nesta solução. E
esperemos que seja possível que essa solução seja encontrada ainda este
ano, para que a situação possa ser revertida a partir de 2023”, adiantou
o deputado socialista, em declarações à Lusa.Francisco
Coelho falava, em Angra do Heroísmo, à margem de uma reunião com o
Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Alimentação,
Bebidas e Similares, Comércio, Escritórios e Serviços, Hotelaria e
Turismo dos Açores (SITACEHT) e com ex-trabalhadores da base das Lajes.Em
causa está a aplicação do fator de sustentabilidade, que prevê um corte
de cerca de 14% nas pensões de velhice, em caso de antecipação da idade
do acesso à reforma, aos mais de 400 trabalhadores da base das Lajes,
na ilha Terceira, que assinaram rescisões por mútuo acordo, em 2015, no
âmbito do processo da redução militar norte-americana na infraestrutura.O
fator de sustentabilidade foi eliminado para as pensões dos
trabalhadores que exercem profissões de desgaste rápido com o
decreto-lei n.º 70/2020, que inclui “os trabalhadores abrangidos por
acordos internacionais na Região Autónoma dos Açores”, mas a eliminação
do corte só se aplica aos requerimentos de pensão apresentados a partir
de 2019.No dia 08 de julho, a Assembleia
Legislativa dos Açores aprovou, por unanimidade, uma anteproposta de
lei, apresentada pelos partidos que formam coligação de governo na
região (PSD/CDS-PP/PPM), para eliminar o fator de sustentabilidade das
pensões antecipadas requeridas entre 2015 e 2019 por antigos
trabalhadores da Base das Lajes.O
parlamento açoriano tinha já aprovado uma anteproposta, apresentada pelo
BE, que propunha o fim do fator de sustentabilidade nesse período não
apenas para os ex-trabalhadores da base das Lajes, mas todos os
abrangidos no Decreto-Lei n.º 70/2020.A
proposta acabou por ser rejeitada, em junho, na Assembleia da República,
com os votos contra das bancadas do PS e do PSD, a abstenção da IL e
votos favoráveis dos restantes partidos.Quatro
deputados socialistas (Francisco César, João Castro, Sérgio Ávila e
Nelson Brito) e cinco social-democratas (Paulo Moniz, Sara Madruga da
Silva, Patrícia Dantas, Sérgio Marques e Francisco Pimentel), onde se
incluem os eleitos pelos Açores, votaram favoravelmente a iniciativa.Questionado
sobre se tinha garantias de aprovação da mais recente anteproposta, por
parte do grupo parlamentar do PS, que tem maioria na Assembleia da
República, Francisco Coelho disse que ainda era cedo para dar “garantias
absolutas”.“Em última análise passará e
terá que ter consagração prática no próximo Orçamento do Estado. É
evidente que o próximo Orçamento ainda não está feito, é sempre
negociado, quer em termos internos, quer em termos externos. E,
portanto, eu creio que ainda é demasiado cedo para dar garantias
absolutas, a não ser a garantia do empenhamento de meios e de que
estamos certos que é um caso especial e que a razão está do nosso lado”,
apontou.O deputado socialista considerou que a anteproposta agora aprovada é mais específica do que a anterior.“Essa
proposta, de algum modo, reduz o âmbito dos grupos atingidos, chamando
assim a especificidade para o caso especialíssimo dos ex-trabalhadores
das Feusaçores. Nessa parte, parece-nos útil. Também esclarece que nem
se pretende aqui efeitos retroativos”, alegou.Ainda
assim, defendeu que independentemente da “forma”, o importante é
“encontrar uma solução para estes ex-trabalhadores, que acabe com a
desigualdade prática”, que “não faz sentido nenhum”.“Esta
solução tem a virtude de mostrar que o parlamento dos Açores continua
unânime em querer corrigir esta solução, mas o que nos interessa é o
resultado final. Mais do que a forma técnica de chegarmos lá e é isso
que queremos salvaguardar e será com esse objetivo que continuaremos a
trabalhar”, frisou.