PS/Açores diz que setor das pescas "caminha para um beco sem saída"
13 de nov. de 2023, 17:17
— Lusa
"Os
pescadores açorianos parecem estar entregues à sua sorte e o setor das
pescas caminha para um beco sem saída", afirmou o líder do grupo
parlamentar do PS, Vasco Cordeiro, após uma reunião com a Federação das
Pescas.Vasco Cordeiro, antigo presidente
do Governo Regional, apontou que, para 2024, o Governo açoriano de
coligação PSD/CDS-PP/PPM "propõe que o setor das pescas tenha apenas 17
milhões de euros"."Isto é francamente
pouco. É uma resposta insuficiente para os desafios que o setor tem e
para a atual situação" das pescas, criticou o líder do PS/Açores.Vasco
Cordeiro disse que, "entre setembro 2022 e setembro de 2023, há uma
redução superior a 40% no volume de pescado e há uma redução do valor do
pescado superior a 20%"."E, se a isso
juntarmos que, entre 01 de janeiro de 2021 e outubro de 2023, o
combustível para as pescas aumentou mais de 125%, percebe-se qual a
dimensão dos desafios do setor e percebe-se que este Plano e Orçamento
não dá resposta a estes desafios", acrescentou.Vasco
Cordeiro assinalou ainda que "um dos desafios para o futuro" das pescas
é a criação de 30% de áreas marinhas protegidas até final do ano, um
"compromisso que o Governo assumiu"."Todos
concordamos com a necessidade de criação de áreas marinhas protegidas,
mas isto não pode ser feito ignorando o impacto social e económico que
este processo, necessário e importante, tem no rendimento dos
pescadores", sustentou o líder dos socialistas açorianos, alertando que o
Plano e Orçamento para 2024 "são completamente omissos" em relação "a
esta preocupação do rendimento dos pescadores face a estes desafios".Vasco
Cordeiro referiu-se ainda para os atrasos no pagamento do POSEI Pescas,
devidos desde 2021 e 2022, e alertou que se prevê que “também 2023 não
consiga ser pago neste ano, apesar de estar já em curso o processo de
candidaturas".Há, também, "a exclusão de
cerca de 40 pescadores deste processo que, em 2021 e 2022, exerciam a
atividade", mas que deixaram a pesca por reforma e que "são excluídos
por decisão do Governo Regional", apontou."Temos
para a semana a discussão do Plano e Orçamento, que na nossa análise
padece de vícios que afetam de forma irremediável e decisiva a sua
credibilidade", reforçou.