PS/Açores diz que Saúde será "fulcral" no sentido de voto sobre orçamento
15 de mai. de 2024, 15:16
— Lusa/AO Online
“É óbvio que, neste momento,
é necessário mais financiamento para a Saúde. É óbvio que também tem de
se ponderar em que sentido é feito este financiamento, se é em sede de
investimento ou de financiamento das unidades de saúde. Deve ser objeto
de ponderação, mas entendemos que a questão da Saúde é uma questão
fulcral na decisão e na ponderação do sentido de voto do Partido
Socialista em relação a este Plano e a este Orçamento”, afirmou o
deputado socialista José Toste.O
parlamentar falava em declarações aos jornalistas à saída de uma reunião
com o conselho de administração do Hospital de Santo Espírito da Ilha
Terceira (HSEIT).Em novembro, o PS votou
contra as propostas de Plano e Orçamento da Região para 2024,
apresentadas pelo executivo PSD/CDS/PPM, que foram chumbadas, levando
à convocação de eleições antecipadas.A coligação venceu as eleições em fevereiro, mas continua sem maioria absoluta no parlamento.Questionado
sobre o sentido de voto dos socialistas, José Toste reiterou que a
posição do PS ainda está “em aberto”, mas disse que “a Saúde é um fator
de ponderação muito importante na decisão”.O
deputado socialista disse que o incêndio do Hospital do Divino Espírito
Santo (HDES), em Ponta Delgada, que ocorreu já depois de as propostas
terem sido entregues, “apenas adensa a falta de capacidade de resposta
daqueles documentos aos problemas dos açorianos”.“A
discussão e a propositura de alterações, naturalmente, poderá levar a
uma ponderação distinta, porque a ponderação do PS em relação aos
documentos não se alterou. Entendemos que os documentos não são os que
melhor servem o futuro dos Açores”, apontou.José Toste
adiantou que o grupo parlamentar do PS “encontra-se a discutir
internamente e a ponderar propostas de alteração ao Plano e Orçamento,
naturalmente tendo como ponto de partida essencial a questão da Saúde”.Segundo
os socialistas, é preciso rever o financiamento do setor da Saúde e não
apenas devido ao incêndio no maior hospital da região.“O
PS acompanha a classificação que foi feita pelo Governo Regional de
calamidade em relação ao que aconteceu, mas entende que a discussão
sobre a Saúde deve ser alargada e não deve ser centralizada na questão
do HDES”, vincou.José Toste alertou para a
necessidade de reforço de recursos humanos nos três hospitais, alegando
que o problema “já se colocava antes dos incidentes no HDES”, mas agora
é mais urgente.“No HDES, pela dispersão
geográfica do hospital, que deixou de estar centralizado numa
infraestrutura; nos restantes hospitais, da Horta e da Terceira, porque
vai haver um acréscimo da atividade regular desses hospitais, fruto do
encaminhamento, seja para consulta, seja para atividade cirúrgica, de
utentes de outras ilhas que tradicionalmente eram encaminhados para o
HDES”, justificou.Para além dos
investimentos necessários no hospital de Ponta Delgada, o deputado
defendeu a realização de obras de pavimentação do acesso norte ao
hospital da ilha Terceira.“Vivemos uma
crise sísmica e todos sabemos que existe um problema no acesso ao HSEIT,
que tem um acesso único feito por uma ponte”, frisou, alegando que esse
acesso já foi condicionado por questões menores, como inundações ou
acidentes rodoviários.O incêndio no
hospital de Ponta Delgada, que ocorreu no dia 04 de maio, obrigou à
evacuação de todos os doentes e levou à suspensão da atividade
hospitalar no edifício. Alguns tratamentos
de oncologia foram retomados esta semana, mas a direção clínica do
hospital disse que a reativação da unidade será feita “lentamente”.