PS/Açores diz que região tem desafios profundos que exigem coragem política

Hoje 17:13 — Lusa

Carlos Silva afirmou que os Açores “percorreram um caminho notável desde a década de 70 do século passado” e “nem tudo foi, nem é, um mar de rosas”.“Persistem desafios profundos, conjunturais e estruturais, que exigem maior participação dos açorianos, coragem política, sentido de responsabilidade e capacidade de decisão. Mas seria injusto ignorar uma evidência: os Açores de hoje são mais desenvolvidos, mais qualificados e mais preparados do que os Açores de há cinquenta anos”, afirmou Carlos Silva na sessão solene do Dia dos Açores, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel.O socialista acrescentou que para a região ser mais sustentável, mais atrativa para os jovens, mais solidária para com os idosos e mais competitiva para as empresas, não se podem ignorar os “grandes desafios” que a autonomia enfrenta.“O primeiro grande desígnio é o da sustentabilidade das finanças públicas regionais. Vivemos uma situação financeira preocupante, marcada por atrasos, falta de liquidez, dívida recorde e investimentos estruturantes sucessivamente adiados”, disse.Carlos Silva defendeu que o problema deve ser enfrentado com frontalidade e devem ser adotadas medidas que “permitam recuperar o equilíbrio das contas públicas e a credibilidade financeira da região”.O segundo grande desafio é o da saúde, alegando o PS que o Serviço Regional de Saúde “continua a enfrentar problemas estruturais graves”, relacionados com subfinanciamento, falta de profissionais e dificuldades crescentes em responder às necessidades dos açorianos.“É urgente avançar para uma verdadeira reforma do sistema, que o torne mais eficiente, mais seguro para os utentes e mais atrativo para os profissionais de saúde”, defendeu o parlamentar, admitindo, no entanto, que a reforma “continuará sempre incompleta” enquanto o principal hospital da região, o Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), de Ponta Delgada, “não recuperar a sua capacidade total”.Carlos Silva apontou que “mais de 750 dias depois do incêndio no HDES, os açorianos continuam a enfrentar as consequências de um hospital que ainda não voltou à normalidade".“Está na hora de passar do sonho à realidade e avançar para um hospital mais moderno, mais diferenciado, mais atrativo e mais capaz de responder às exigências do presente e do futuro”, desafiou.O terceiro desafio colocado à região é o da mobilidade e transportes, tendo o vice-presidente do grupo parlamentar do PS reconhecido que, 50 anos após a autonomia, os problemas nos transportes “continuam a limitar a mobilidade das pessoas, a condicionar a atividade económica e a comprometer a competitividade da região”.O socialista reafirmou a necessidade de a região “atrair mais companhias aéreas para operar nos Açores ao longo de todo o ano, promovendo maior concorrência, mais oferta de lugares e custos mais baixos, tanto para os passageiros como para o próprio Estado”.“Da mesma forma, não podemos continuar a adiar um novo modelo de transporte marítimo, tanto de passageiros como de mercadorias, mais eficiente e adaptado à realidade das nossas ilhas, assegurando maior regularidade, melhores ligações e custos mais reduzidos”, disse.Para Carlos Silva, a autonomia “não é apenas uma conquista histórica, é uma responsabilidade permanente”.As comemorações que hoje decorrem em Ponta Delgada são uma organização conjunta da Assembleia Legislativa e do Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM), na sequência da instituição do Dia da Região Autónoma dos Açores, em 1980, para comemorar a açorianidade e a autonomia.A data, feriado regional, é celebrada na Segunda-feira do Espírito Santo.Na sessão solene vão ser impostas 25 insígnias honoríficas açorianas que distinguem cidadãos e pessoas coletivas que se tenham destacado “por méritos pessoais ou institucionais, atos, feitos cívicos ou por serviços prestados à região”.Serão atribuídas seis insígnias autonómicas de reconhecimento, duas de mérito profissional, três de mérito industrial, comercial e agrícola, e catorze de mérito cívico.