PS/Açores diz que Orçamento para 2025 é de um governo “faz de conta”
27 de nov. de 2024, 19:34
— Lusa/AO Online
“Este é o Orçamento de um
governo do faz de conta. Faz de conta que é rico, promete tudo a todos,
não paga nada a ninguém”, disse Andreia Cardoso.No
discurso proferido na Assembleia Legislativa, na Horta, durante as
intervenções finais do debate do Plano e Orçamento da região para 2025,
apresentado pelo Governo de coligação, a líder parlamentar do PS
açoriano referiu que o executivo “nega todos os dias" atrasos nos
pagamentos a fornecedores e a funcionários públicos.“Este
não é o Orçamento do PS. Este é o Orçamento de um governo arrogante:
que dialoga com uns poucos, ignorando os restantes”, disse.E
prosseguiu: “Esta arrogância perdura, mesmo quando a solução de governo
apresentada pela coligação a este parlamento é mais frágil e instável
que a anterior e mesmo apesar do Programa do Governo ter sido aprovado
apenas pelos três partidos da coligação, sem o apoio dos outros cinco
partidos representados no parlamento”.Na
opinião de Andreia Cardoso, “não devia ser assim”: “Se outras razões não
houvesse, estas deviam ser mais que suficientes para levar o presidente
do Governo [José Manuel Bolieiro] a refletir e dialogar mais, em vez de
se entrincheirar no comodismo da política da coligação”.“No
entanto, isso voltou a não ocorrer. O governo continua arrogante e não
dialoga com todos os partidos políticos”, salientou, indicando que o PS
“se predispôs ao diálogo, disse presente e foi praticamente ignorado”.A
líder parlamentar do PS lembrou que o partido “tem a mesma
representação parlamentar do que o maior partido da coligação
governamental, o PSD” e é o único com representação parlamentar em todas
as ilhas açorianas.“Esta atitude pesa
negativamente sobre o governo e especialmente sobre o presidente do
governo e mostra que as palavras bonitas de humildade e transparência e a
alegada centralidade do parlamento não passam, afinal, de pura retórica
para encher discurso e alegrar a claque”, declarou.Andreia
Cardoso afirmou também que o Orçamento é apresentado por “um governo
negacionista”, que “nega o resgate, mas pede ajuda à República”.A
parlamentar lembrou que o PS, chamado a contribuir para os documentos
em discussão, apresentou em setembro 11 propostas concretas ao governo,
“mostrando abertura ao diálogo e disponibilidade para viabilizar os
documentos de planeamento em caso de aprovação das mesmas”.“De
então para cá, o presidente do governo oscilou entre juras de diálogo
com todos e a total indisponibilidade para negociar”, lamentou.Andreia Cardoso reforçou ainda que o Orçamento apresentado “não é, nem será, o Orçamento do PS”.“Há
um mar imenso de diferenças entre o que faria o PS se fosse governo e o
que tem feito esta coligação nos últimos quatro anos. Votámos
naturalmente contra o Programa de Governo porque este corporizava
exatamente esta divergência", disse.Antes
da intervenção da líder parlamentar, o presidente do PS açoriano,
Francisco César, numa mensagem publicada nas redes sociais, anunciou que
o partido vai votar contra o Plano e Orçamento, considerando que
aqueles documentos consagram um “conjunto de políticas erradas” e
lamentando a falta de resposta do executivo às propostas socialistas.